Índia e Austrália sondam entrada em grupo liderado pelo Brasil em defesa do multilateralismo
Iniciativa reúne inicialmente Brasil, Canadá e Quênia e busca fortalecer instituições internacionais e cooperação entre países
A Índia e a Austrália iniciaram consultas sobre uma possível adesão ao Parceiros pelo Multilateralismo, grupo lançado por Brasil, Canadá e Quênia às vésperas da Assembleia Geral das Nações Unidas. A iniciativa busca ampliar a cooperação internacional e fortalecer as instituições multilaterais.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Janaína Figueiredo, no UOL, fontes oficiais confirmaram que as sondagens começaram poucas horas depois da apresentação do manifesto que criou o grupo.
A articulação ocorre em meio ao aumento das tensões em torno do funcionamento das instituições multilaterais e das relações entre o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e organismos internacionais como a ONU.
Índia e Austrália demonstram interesse
A possível entrada da Índia ampliaria o peso econômico e diplomático da iniciativa. O país integra o Brics ao lado do Brasil e participa das discussões sobre a reforma da governança internacional e a ampliação da representação das economias emergentes.
A Austrália também realizou consultas sobre uma eventual participação. A presença dos dois países ampliaria a abrangência geográfica do grupo e aproximaria diferentes espaços diplomáticos em torno da defesa do sistema multilateral.
A iniciativa permanece aberta à entrada de outros governos que compartilhem os princípios estabelecidos pelos países fundadores.
Brasil, Canadá e Quênia formam núcleo inicial
O grupo foi criado inicialmente por Brasil, Canadá e Quênia, reunindo países de diferentes regiões e blocos diplomáticos.
A participação do Canadá estabelece uma conexão com o G7, enquanto Brasil e Quênia ampliam a presença do Sul Global na articulação.
A proposta começou a ser discutida durante a cúpula do G7 realizada na França, em junho. A articulação avançou posteriormente até o acordo entre os três países fundadores, anunciado pouco antes do início da Assembleia Geral da ONU.
Guerras e gastos militares entram na agenda
O manifesto de criação do grupo destaca o aumento dos conflitos armados e dos gastos militares no mundo.
Segundo os dados apresentados pelos integrantes, existem atualmente pelo menos 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, enquanto os gastos militares globais chegaram a US$ 2,9 trilhões.
Os integrantes defendem maior coordenação internacional para enfrentar problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais, como guerras, mudanças climáticas, inteligência artificial e disputas comerciais.
Defesa da ONU e do direito internacional
Entre os princípios apresentados pelo grupo estão o respeito à integridade territorial dos Estados, a defesa dos direitos humanos e a solução pacífica de controvérsias.
A iniciativa também busca reafirmar a importância do direito internacional e das instituições multilaterais em um cenário de crescente disputa entre grandes potências.
A possível adesão de Índia e Austrália seria um dos primeiros movimentos de expansão do Parceiros pelo Multilateralismo, criado menos de 24 horas antes das primeiras sondagens.
Com Brasil, Canadá e Quênia no núcleo inicial e consultas envolvendo Índia e Austrália, a articulação reúne países com participação em diferentes fóruns internacionais e coloca o fortalecimento do multilateralismo no centro da agenda diplomática às vésperas da Assembleia Geral da ONU.
