Renovação do Senado abre espaço para ampliar presença feminina na Casa

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54 das 81 cadeiras estarão em disputa neste domingo; mulheres são 69 das 314 candidaturas registradas, e bancada feminina atualmente tem 15 senadoras.

A eleição para o Senado neste domingo (4) terá uma das maiores renovações possíveis da Casa. Ao todo, 54 das 81 cadeiras serão disputadas, o equivalente a dois terços do Senado. Em cada estado e no Distrito Federal, os eleitores escolherão dois senadores, em votação majoritária e sem segundo turno.

O cenário também coloca em evidência a participação feminina na política. 69 mulheres estão registradas como candidatas ao Senado em 2026, número 19% superior ao registrado em 2022 e o maior desde 2018. Apesar do crescimento, elas representam apenas 22% das 314 candidaturas ao cargo. Atualmente, a bancada feminina conta com 15 das 81 senadoras.

Pela primeira vez, há pelo menos uma candidata ao Senado em todos os estados e no Distrito Federal. A distribuição, entretanto, é desigual: enquanto alguns estados possuem cinco mulheres na disputa, outros contam com apenas uma candidata.

Entre os nomes que aparecem na disputa estão candidatas com trajetórias políticas consolidadas. Em São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) concorrem às duas vagas. Marina já foi senadora pelo Acre e ministra do Meio Ambiente, enquanto Tebet exerceu mandato no Senado por Mato Grosso do Sul e atualmente ocupa o Ministério do Planejamento e Orçamento.

No Rio de Janeiro, Benedita da Silva disputa novamente uma vaga no Senado. Com uma trajetória que inclui passagens pela Câmara dos Deputados, Senado, governo estadual e governo federal, a candidata tem sua atuação política historicamente vinculada às pautas de desigualdade social, direitos das mulheres, população negra e periferias. Monica Benicio também concorre ao Senado pelo estado.

No Distrito Federal, entre as candidatas estão Erika Kokay e Leila do Vôlei. Em Minas Gerais, aparecem Marília Campos e Áurea Carolina. A disputa feminina também reúne candidaturas em diferentes regiões do país, incluindo nomes como Gleisi Hoffmann, no Paraná, Eliziane Gama, no Maranhão, e Manuela D’Ávila, no Rio Grande do Sul.

A ampliação das candidaturas, porém, não elimina a desigualdade de representação. Dados do Senado mostram que as mulheres correspondem a pouco mais de um quinto dos candidatos ao cargo. No cenário atual, o Brasil tem 15 mulheres entre os 81 senadores, enquanto na Câmara dos Deputados elas ocupam 88 das 513 cadeiras.

A renovação de 2026 terá ainda impacto sobre decisões relevantes do Legislativo. Além da atividade legislativa, o Senado possui competências constitucionais como a análise de indicações presidenciais para o Supremo Tribunal Federal e o julgamento de determinadas autoridades nos casos previstos pela Constituição.

Com 54 cadeiras em disputa e candidaturas femininas presentes em todas as unidades da Federação, a eleição deste domingo poderá alterar significativamente a composição da bancada feminina no Senado. O resultado, contudo, dependerá da votação em cada estado, já que apenas os dois candidatos mais votados em cada unidade serão eleitos.

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Leticia Vieira de Mendonça

Letícia Mendonça é cientista social formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisadora, professora, social mídia e colunista do Canal Pororoca. Se debruça no estudos sobre violência urbana, segurança pública, desigualdades sociais e dinâmicas territoriais.

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