E-mails obtidos pela PF apontam ligação bancária entre Flávio Playboy Bolsonaro e advogado investigado por suspeita de lavagem de dinheiro do INSS
E-mails obtidos pela Polícia Federal (PF) indicam que uma conta identificada com o nome do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava vinculada ao acesso bancário de uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro no caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações foram divulgadas pelo UOL neste sábado (10) e repercutidas pelo Brasil 247.
As mensagens foram trocadas em maio de 2025 entre o escritório de Tomaz e o banco Santander. Em um dos e-mails, Fayla Zulmira Menezes, funcionária do advogado, solicitou a retirada de uma conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do conjunto de acessos administrados pelo chamado “usuário master”. O banco confirmou a exclusão no mesmo dia. A conta estava relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio.
A documentação foi encontrada pela PF durante a análise de arquivos armazenados na nuvem do advogado. Segundo a investigação, os registros levantam questões sobre possíveis conexões financeiras entre Flávio Bolsonaro e Tomaz, cuja estrutura empresarial está sob apuração no âmbito da Operação Sem Desconto. A investigação apura um esquema de descontos associativos indevidos que pode ter causado prejuízos bilionários a aposentados e pensionistas.
Além dos e-mails, a PF identificou pagamentos de voos em aeronaves executivas para Flávio Bolsonaro e familiares por duas empresas ligadas ao advogado: Alcazar Holdings e Cathedral Holdings. Em janeiro de 2025, o senador, a mulher e as duas filhas viajaram dos Estados Unidos para Brasília em um jato no qual Tomaz também estava a bordo. O advogado afirmou que utilizou horas correspondentes à sua participação na aeronave e que os demais passageiros eram seus convidados.
Os investigadores também identificaram viagens internacionais realizadas pelos dois em 2025, incluindo deslocamentos entre Portugal e França. Esses registros integram o conjunto de informações analisadas pela PF para esclarecer as relações entre o advogado, suas empresas e agentes públicos.
Em relatório, a Polícia Federal descreveu a estrutura empresarial ligada a Tomaz como um possível centro financeiro, patrimonial e logístico colocado à disposição de pessoas investigadas no esquema. O advogado foi alvo de busca e apreensão em agosto, em investigação que também envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
