Sucessivos ataques à democracia e um patrimônio inexplicável de Flávio Playboy

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Estimado em R$600 milhões, o patrimônio de Flávio Playboy Rachadinha, nos faz questionar como essa fortuna foi construída ao longo de sua trajetória política? E porque os canais que tentam denunciar e levantar esses questionamentos e os que estão do lado oposta ao Flávio estão sendo atacados? 

A política não pode servir de instrumento para enriquecimento privado, muito menos permitir que suspeitas sobre o uso do poder sejam ignoradas. O eleitor precisa conhecer os fatos para decidir com consciência, e qualquer comprovação de corrupção deve resultar em responsabilização.

Flávio Bolsonaro precisa explicar a evolução de seu patrimônio. Em 2018, quando disputou o Senado, declarou R$1,74 milhão em bens; em 2026, informou à Justiça Eleitoral possuir R$8,18 milhões, um crescimento nominal de aproximadamente 370%.

O senador recebe remuneração bruta mensal de cerca de R$46,3 mil, valor que também corresponde ao subsídio dos deputados federais. Flávio também não respondeu sobre o esquema de Rachadinha em seu gabinete quando estava na Alerj junto de seu parceiro Fabrício Queiroz, tampouco sobre o esquema de lavagem de dinheiro na venda de chocolates. 

Flávio Bolsonaro também não deu nenhuma devolutiva sobre a prestação de contas do dinheiro que recebeu do ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, para o filme de seu pai, preso, Jair Bolsonaro. O patrimônio de Flávio Bolsonaro não possui qualquer resquicio de legalidade, muito pelo contrário, sobretudo diante da estimativa de R$600 milhões divulgada por seu ex-aliado Julian Lemos, cifra muito superior à declarada oficialmente.

Vamos continuar avançando na democracia ou retroceder a uma forma autocrática de poder? Vamos preservar o direito à manifestação ou aceitar o avanço da repressão? Queremos uma pátria livre e soberana, com suas riquezas naturais a serviço do bem-estar coletivo, ou um país subordinado aos interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos? 

A concentração de poder, a defesa de interesses privados e a subordinação da soberania nacional ameaçam a capacidade do povo brasileiro de decidir os rumos do próprio país.

A decisão de Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal, de suspender o canal “Exército do Lula”, administrado por André Janones no WhatsApp, exige atenção. A medida provocou acusações de censura e parcialidade por parte de apoiadores de Lula, que questionaram a atuação do ministro em plena disputa eleitoral. 

A decisão foi posteriormente revertida pela Corregedoria Eleitoral, expondo o conflito em torno dos limites da atuação judicial. O combate à desinformação precisa respeitar critérios legais, garantir o direito de defesa e impedir restrições desproporcionais à comunicação política. Quando decisões judiciais atingem diretamente a mobilização de uma campanha, seus fundamentos precisam ser transparentes e sujeitos aos mecanismos legais de contestação.

A origem do patrimônio de agentes políticos, a atuação da Justiça Eleitoral, a liberdade de expressão e a soberania brasileira fazem parte de uma mesma disputa sobre os limites do poder e os direitos da população. Se queremos preservar a democracia, precisamos denunciar possíveis abusos, exigir transparência e cobrar providências das instituições competentes, inclusive do STF. 

A resposta não pode ser o silêncio nem a violência, mas a mobilização popular, a organização coletiva e a resistência democrática. 

Defender o Brasil é defender o direito do povo de decidir seu futuro, controlar o poder público e impedir que os interesses privados se sobreponham à soberania nacional.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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