Flávio Bolsonaro acionou Justiça Eleitoral contra diretor da PF após arquivamento de apuração sobre interferência estrangeira
Candidato do PL acusa Andrei Rodrigues de favorecer Lula ao anunciar procedimento preliminar no dia do primeiro turno; PF arquivou a apuração três dias depois por falta de indícios mínimos.
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou, neste domingo (11), uma notícia-crime à Justiça Eleitoral contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A iniciativa acusa o chefe da corporação de utilizar a estrutura pública para favorecer eleitoralmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A representação questiona a divulgação, no dia 4 de outubro, data do primeiro turno, de uma apuração preliminar sobre possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras. As acusações são da defesa de Flávio e ainda dependem de apuração.
O caso teve origem em uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada em 30 de setembro, sobre discussões envolvendo recursos de US$ 1 milhão para um programa relacionado ao combate ao lawfare e à censura no Brasil. A Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou o caso à PF para análise. Ao anunciar o procedimento preliminar, Andrei Rodrigues esclareceu que ainda não havia sido instaurado um inquérito policial formal.
Em 7 de outubro, três dias após o anúncio, a Polícia Federal arquivou a apuração por não encontrar indícios mínimos que justificassem a abertura de inquérito. A defesa de Flávio usa esse desfecho para sustentar que a divulgação da suspeita durante a votação poderia ter influenciado o eleitorado. A campanha pede que a Justiça apure se houve desvio de finalidade e uso indevido da estrutura da corporação. O arquivamento, porém, não comprova por si só que o anúncio teve motivação eleitoral.
A representação solicita investigação pelo Ministério Público Eleitoral, além do acesso a documentos da AGU, da PF e da Procuradoria-Geral da República e à gravação integral da entrevista coletiva. O episódio coloca em debate os limites da comunicação de investigações por órgãos públicos durante o período eleitoral e a necessidade de distinguir fatos apurados, suspeitas e acusações políticas. Cabe às instâncias competentes examinar os elementos apresentados e esclarecer se houve irregularidade.
