Mais de 100 entidades denunciam interferência das big techs nas eleições brasileiras

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Mais de 100 organizações e especialistas de 25 países denunciam a atuação das grandes empresas de tecnologia nas eleições brasileiras e cobram medidas urgentes para garantir a transparência e a integridade do processo eleitoral. Em carta organizada pela entidade CTRL+Z, os signatários apontam irregularidades envolvendo propaganda política, uso de inteligência artificial, financiamento de anúncios por contas estrangeiras e decisões arbitrárias de moderação de conteúdo. A denúncia ocorre às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, e coloca em debate o poder das plataformas digitais sobre a circulação de informações e a disputa política no país.

Entre os signatários estão organizações como ARTICLE 19, Greenpeace e Oxfam Brasil, além de pesquisadores de universidades brasileiras e estrangeiras. O documento cita um levantamento do NetLab, da UFRJ, que analisou 2.326 anúncios nas plataformas da Meta e identificou que 68,1% continham ataques a instituições ou questionamentos sobre a condução do processo eleitoral. Outra pesquisa, do MonitorA, examinou 9.888 imagens ofensivas contra candidatas e encontrou indícios de uso de inteligência artificial em aproximadamente uma a cada quatro publicações analisadas.

Google, Meta, TikTok, OpenAI, Kwai e X estão entre as empresas questionadas. As entidades denunciam falhas na fiscalização, falta de transparência na remoção de publicações e suspensão de perfis sem justificativas suficientes ou mecanismos adequados de contestação. Também cobram maior controle sobre a publicidade política, com identificação dos responsáveis pelos anúncios e transparência sobre a origem dos recursos utilizados. em detrimento de outras.

A carta cobra providências das autoridades brasileiras, especialmente da Justiça Eleitoral, e pede que organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, acompanhem a atuação das plataformas durante o segundo turno. A democracia não pode ficar subordinada aos interesses comerciais e políticos de conglomerados tecnológicos que concentram poder sobre a informação.

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Leticia Vieira de Mendonça

Letícia Mendonça é cientista social formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisadora, professora, social mídia e colunista do Canal Pororoca. Se debruça no estudos sobre violência urbana, segurança pública, desigualdades sociais e dinâmicas territoriais.

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