Flávio Playboy: arrogância, falta de transparência e o risco de entregar o Brasil a quem foge de explicações
Flávio Bolsonaro se comportou como um playboy arrogante, pretensioso, constrangedor e desrespeitoso, tanto com seu debatedor quanto com as regras do debate. Intimidador, tratou a responsabilidade de governar uma nação como se fosse uma brincadeira, enquanto transforma a própria imagem em espetáculo, com dancinhas e encenações para as redes sociais. Mas governar o Brasil não é fazer dancinha: é assumir responsabilidades, respeitar a Constituição e prestar contas à população.
Sua reação ao desafio de Lula para abrir os sigilos bancário e telefônico e esclarecer a origem de seu patrimônio revelou a real intenção de sua candidatura, dobrar os esquemas no qual ele e sua família estão inseridos, continuar a expandir seu patrimônio sem esclarecer como e entregar o Brasil de bandeja para Trump.
Ao não aceitar expressamente a proposta nos termos apresentados, Flávio deixou uma pergunta incontornável: por que não assumir o compromisso público com a transparência? A publicidade e a transparência são princípios constitucionais da administração pública, previstos no artigo 37 da Constituição. Embora isso não signifique que todo candidato seja automaticamente obrigado a divulgar suas contas bancárias privadas, quem pretende governar o país precisa compreender que a confiança pública exige explicações, coerência e responsabilidade.
Flávio lembra Fernando Collor, cuja passagem pela Presidência terminou em impeachment, em meio a denúncias de corrupção. A comparação serve de alerta político: o Brasil já pagou caro por apostar em figuras vendidas como solução, mas cercadas de controvérsias. No caso de Flávio, as investigações e controvérsias envolvendo suspeitas de rachadinha, evolução patrimonial e relações políticas precisam ser tratadas com seriedade, sem que a lentidão dos processos substitua o esclarecimento dos fatos. Também é necessário examinar as relações políticas que vêm sendo questionadas publicamente, inclusive aquelas envolvendo milicianos e redes de desinformação.
Não podemos normalizar a falta de transparência nem aceitar que o debate público seja reduzido a provocações, intimidação e encenação. O Brasil precisa de respostas, não de performances. Se Flávio afirma não ter nada a esconder, que considere autorizar formalmente o acesso às informações bancárias pertinentes e esclareça a origem e a evolução de seu patrimônio perante as autoridades competentes.
Flávio, o Brasil quer respostas. Quem pretende governar uma nação precisa estar disposto a prestar contas. Transparência não é favor: é compromisso com a democracia.
Ao não aceitar abrir o seu sigilo bancário e telefônico Flávio passa recibo de que têm a temer, de que tem muito a esconder.
Francisco Celso Calmon.
