Joice Hasselmann acusa Bolsonaro de mandar matá-la e declara voto em Lula
A ex-deputada federal Joice Hasselmann, antiga aliada de Jair Bolsonaro, voltou a fazer acusações graves contra o ex-presidente ao relembrar o episódio em que foi encontrada ferida em seu apartamento funcional, em Brasília, em julho de 2021. Em entrevista divulgada nesta quinta-feira (22), Joice afirmou que Bolsonaro teria ordenado sua morte e relacionou o episódio ao rompimento com o grupo político que ajudou a eleger em 2018.
Na ocasião, a então parlamentar foi encontrada com ferimentos no rosto e no corpo, incluindo fraturas. A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, porém, descartou a participação de terceiros e apontou uma queda como causa dos ferimentos. A nova acusação de Joice, portanto, deve ser tratada como um relato da ex-deputada, e não como um fato comprovado pelas autoridades.
A trajetória de Joice expõe as contradições de um projeto político que se apresentou como defensor da moralidade e do combate à corrupção. Uma das principais figuras femininas da campanha bolsonarista, ela chegou à liderança do governo na Câmara, mas rompeu com o então presidente ainda no primeiro ano de mandato. Desde então, passou a denunciar o comportamento de Bolsonaro e de seus familiares, além de relatar perseguições e ameaças.
Agora, Joice declara voto em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. A ex-deputada afirma que sua decisão não significa adesão ao PT, mas uma escolha em defesa da democracia e da possibilidade de fazer oposição dentro das instituições. “Perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, declarou.
O rompimento de uma antiga aliada com o bolsonarismo volta a colocar em evidência as disputas internas, os relatos de violência e as denúncias que cercam o grupo político.
