Arthur Lira surge como alternativa a Alcolumbre na disputa pelo comando do Senado
Tereza Cruvinel aponta desgaste do atual presidente da Casa e destaca o perfil negociador do ex-presidente da Câmara, em meio às articulações para a eleição de fevereiro de 2027.
A disputa pela Presidência do Senado em 2027 começa a ganhar novos contornos nos bastidores de Brasília. Em análise no programa Boa Noite 247, a jornalista Tereza Cruvinel apontou Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados e senador eleito por Alagoas, como possível alternativa a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca permanecer no comando da Casa. A avaliação ocorre em meio a resistências à recondução de Alcolumbre e a negociações para definir a composição política do Congresso na próxima legislatura.
Segundo Cruvinel, enquanto a articulação em torno de Hugo Motta na Câmara avança com manifestações públicas de apoio partidário, a situação no Senado é mais incerta. A jornalista afirmou que Alcolumbre enfrenta resistências e pode sofrer desgaste político em razão de informações que circulam em Brasília sobre suas relações com o advogado Willer Tomaz. A análise trata de riscos políticos e de bastidores, não de comprovação de irregularidades por parte do senador.
Lira aposta na capacidade de negociação
Na avaliação de Cruvinel, Arthur Lira aparece como uma alternativa por ser considerado, por setores do governo e do PT, um interlocutor pragmático e capaz de cumprir acordos políticos. Apesar de sua trajetória ligada ao Centrão, Lira manteve diálogo com o governo Lula e participou de negociações importantes durante sua passagem pela Presidência da Câmara.
A jornalista ressaltou que há setores políticos que consideram Lira mais previsível nas negociações do que Alcolumbre. A hipótese de uma candidatura, entretanto, ainda está no campo das articulações de bastidores. Lira não pretende disputar a Presidência do Senado na eleição de fevereiro de 2027 e mira, segundo informações divulgadas pela imprensa, a possibilidade de concorrer ao cargo em 2029.
No curto prazo, seu papel pode ser decisivo na construção de acordos para a eleição da Mesa Diretora. Alcolumbre conta com a atuação do senador eleito para conquistar apoio de parlamentares do centro e da direita que resistem à sua recondução. Em contrapartida, as negociações podem abrir espaço para Lira na estrutura de comando da Casa, inclusive na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Disputa expõe divergências entre governo, Centrão e oposição
A sucessão do Senado não se limita à escolha de um nome para presidir a Casa. O resultado terá impacto sobre a relação entre o Congresso, o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em temas como a análise de indicações para cargos públicos, a tramitação de propostas legislativas e os pedidos de impeachment de ministros da Corte.
Alcolumbre tem apoio declarado da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, além de contar com interlocução com partidos como MDB, PSD e PT. Ainda assim, enfrenta resistência de setores da direita que defendem uma candidatura própria. O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), por exemplo, declarou que não pretende votar em Alcolumbre e citou Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) como possíveis nomes para enfrentar o atual presidente.
A oposição também tenta construir uma candidatura unificada. Rogério Marinho é o nome preferido de setores do bolsonarismo, enquanto Tereza Cristina é vista por parte do Centrão como uma alternativa com maior capacidade de diálogo fora do núcleo mais radical da direita. A divisão entre os dois pode favorecer Alcolumbre, que trabalha para consolidar sua base antes da votação.
Nesse cenário, Arthur Lira surge como uma peça importante nas negociações, mesmo sem se apresentar como candidato imediato. Sua experiência na Câmara e o trânsito entre diferentes grupos políticos podem influenciar a formação de maiorias e a distribuição de espaços institucionais.
A eleição para a Presidência do Senado está prevista para fevereiro de 2027. Para vencer, um candidato precisa reunir pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.
