URGENTE! Câmara rejeita renúncia de Santiago Peña e aprova impeachment após crise bancária no Paraguai
Colapso do Ueno Bank, que atingiu quase 3 milhões de clientes e mantinha depósitos de órgãos públicos, provocou protestos e expôs vínculos empresariais anteriores do presidente com o grupo controlador da instituição.
A crise financeira provocada pela intervenção no Ueno Bank levou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a anunciar sua renúncia nesta quinta-feira (5). A saída, porém, não foi aceita pela Câmara dos Deputados, que rejeitou o pedido e aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo. O caso segue agora para análise do Senado.
Peña anunciou a decisão em meio ao avanço das pressões políticas e ao isolamento dentro do próprio Partido Colorado, legenda que sustenta seu governo. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, afirmou que deixaria o cargo em nome da estabilidade do país e da preservação das instituições democráticas. Também pediu desculpas à população e manifestou preocupação com a devolução dos recursos dos clientes atingidos pela crise bancária.
O pedido de renúncia, entretanto, foi rejeitado pelos deputados. A decisão busca impedir que Peña deixe o cargo e obtenha automaticamente a condição de senador vitalício, que lhe garantiria imunidade política. Com a aprovação do impeachment na Câmara, caberá ao Senado decidir sobre o prosseguimento do julgamento e o futuro político do presidente.
Colapso do banco atingiu milhões de paraguaios
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após identificar uma grave insuficiência de capital. O índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido pelas regras do sistema financeiro, segundo informações divulgadas pela agência EFE.
Com aproximadamente 2,9 milhões de clientes em um país de pouco mais de 6 milhões de habitantes, o banco ocupava posição importante no cotidiano financeiro paraguaio. A intervenção deixou correntistas sem acesso às contas e provocou protestos em frente às agências. A instituição também mantinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, responsável por administrar fundos ligados às aposentadorias e à proteção social dos trabalhadores.
As autoridades identificaram operações de crédito de alto risco destinadas a empresas relacionadas ao grupo econômico controlador do banco. A situação levantou suspeitas sobre a real condição financeira da instituição e sobre a forma como suas operações foram fiscalizadas. O Banco Central iniciou medidas para transferir depósitos e preservar os recursos recuperáveis, enquanto a crise provocava insegurança entre correntistas e questionamentos sobre a proteção do dinheiro público.
Vínculos empresariais do presidente as suspeitas de corrupção
A dimensão política do escândalo está relacionada à ligação anterior de Santiago Peña com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O presidente foi acionista do conglomerado até março de 2025, segundo informações divulgadas pela imprensa. A relação passou a ser questionada pela oposição, especialmente diante da presença de recursos públicos entre os depósitos mantidos na instituição.
Parlamentares oposicionistas acusam o governo de conflito de interesses, favorecimento e omissão na fiscalização do banco. Também foram levantadas suspeitas sobre a utilização de recursos previdenciários e a atuação de autoridades responsáveis pelo controle do sistema financeiro. Peña nega irregularidades, e as acusações precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
A crise também alcançou o Banco Central. Seu então presidente, Carlos Carvallo, que havia dirigido anteriormente o Ueno, deixou o cargo após a intervenção na instituição. O Ministério Público investiga o caso, e dirigentes do banco foram detidos. As apurações procuram esclarecer as operações financeiras, a responsabilidade dos administradores e a possível participação de agentes públicos.
Crise ameaça a estabilidade do governo paraguaio
O avanço do impeachment ganhou força quando integrantes do próprio Partido Colorado passaram a apoiar a responsabilização política de Peña. A perda de sustentação dentro da base governista agravou o isolamento do presidente justamente quando milhares de correntistas exigiam respostas e a devolução de suas economias.
A sucessão presidencial também entrou na pauta. Caso a saída de Peña seja efetivada, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o Executivo, conforme as regras constitucionais paraguaias. A definição, porém, depende do andamento das decisões no Congresso.
A crise do Ueno Bank não se limita à queda de uma instituição financeira. O caso envolve a proteção das economias de milhões de pessoas, a presença de recursos públicos em um banco privado e os mecanismos de fiscalização do sistema financeiro. A investigação sobre as relações entre o grupo controlador, autoridades reguladoras e integrantes do governo será decisiva para esclarecer como a instituição chegou ao colapso e quem deverá responder pelos prejuízos.
