Milei sofre derrota histórica em Santiago del Estero e aprofunda desgaste político na Argentina
O presidente argentino Javier Milei sofreu um duro revés político nas eleições municipais realizadas na província de Santiago del Estero. Segundo os dados divulgados na imagem compartilhada, o partido governista foi derrotado em todas as 26 disputas para as prefeituras e elegeu apenas 3 vereadores entre as 194 cadeiras em disputa, resultado apontado como a pior derrota eleitoral de um presidente argentino em exercício em uma eleição provincial.
O resultado representa mais um sinal do enfraquecimento da capacidade eleitoral do governo libertário fora dos grandes centros urbanos e evidencia as dificuldades de Milei para transformar sua popularidade nacional em uma estrutura política consolidada nas províncias. Desde que assumiu a presidência, o mandatário tem enfrentado resistência de governadores, prefeitos e legisladores locais, enquanto sua agenda de cortes de gastos, privatizações e desmonte do Estado vem sendo alvo de críticas de amplos setores da sociedade argentina.
A derrota também ocorre em meio ao agravamento da crise social provocada pelo ajuste econômico promovido pelo governo. A inflação elevada, a perda do poder de compra dos salários, o aumento da pobreza e a redução dos investimentos públicos têm alimentado manifestações populares e desgastado a imagem de Milei. Embora o presidente mantenha apoio entre parte do eleitorado que defende seu programa liberal, os resultados em Santiago del Estero indicam que esse respaldo encontra dificuldades para se converter em vitórias nas disputas locais.
Mais do que uma derrota regional, o desempenho do partido governista reforça o debate sobre os limites políticos do projeto ultraliberal de Javier Milei. A incapacidade de conquistar prefeituras e de formar uma representação significativa nas câmaras municipais evidencia que o governo enfrenta obstáculos para ampliar sua base de sustentação territorial. Caso esse cenário se repita em outras províncias, Milei poderá chegar às próximas disputas legislativas e nacionais com uma posição política mais frágil, ampliando a pressão sobre sua administração e sobre a viabilidade de seu programa econômico.
