Lula recebe representantes da Comissão de Mortos e Desaparecidos para exibição de filme sobre Honestino Guimarães
Encontro no Palácio da Alvorada reuniu representantes da CEMDP e marcou a entrega de certidões de óbito retificadas e o debate sobre políticas de memória e reparação às vítimas da ditadura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja Lula da Silva receberam, na segunda-feira (10), representantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) para uma sessão do filme Honestino, que conta a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, sequestrado e desaparecido durante a ditadura militar.
A informação foi divulgada por Eugênia Augusta Gonzaga, presidente da CEMDP, em publicação nas redes sociais. Segundo Gonzaga, a comissão apresentou ao presidente cópias da certidão de óbito de Honestino com a devida retificação e aproveitou o encontro para explicar o trabalho desenvolvido na política de reparação imaterial às vítimas e seus familiares.
A retificação das certidões de óbito faz parte das políticas de memória, verdade e reparação retomadas pelo Estado brasileiro. Em 2024, o governo Lula recriou a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que havia sido extinta ao final de 2022. Entre as atribuições do colegiado estão o reconhecimento de vítimas da repressão, a busca por restos mortais e a retificação de registros de óbito.
No caso de Honestino Guimarães, documentos históricos registram que ele foi preso por agentes de segurança do Estado em 10 de outubro de 1973, no Rio de Janeiro, e permanece desaparecido. O estudante de Geologia da Universidade de Brasília (UnB) foi presidente da UNE e militante da Ação Popular Marxista-Leninista. Em 2014, foi reconhecido oficialmente como anistiado político post mortem, com determinação para que seu registro de óbito apontasse a violência praticada pelo Estado como causa da morte.
Dirigido por Aurélio Michiles, Honestino combina documentário e ficção para reconstruir a história do líder estudantil a partir de documentos, cartas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos e militantes. Bruno Gagliasso participa da obra em cenas ficcionais. O filme chegou aos cinemas brasileiros em 13 de agosto.
Para Eugênia Gonzaga, o encontro também teve um significado especial por aproximar a Presidência da República dos familiares de mortos e desaparecidos políticos. Em sua publicação, ela afirmou que ficou honrada pelo fato de a Comissão ser lembrada naquele momento e convidou Lula e Janja para o próximo Encontro Nacional de Familiares.
A história de Honestino permanece como um dos símbolos dessa luta. Décadas depois de seu desaparecimento, seus restos mortais ainda não foram localizados. A memória, portanto, não encerra o caso: ela mantém aberta a cobrança por verdade, justiça e reparação.
Memória, justiça e verdade!

