Mensagens envolvendo filho de Nunes Marques mudam cenário de julgamento sobre Moraes no STF
Informações citadas em reportagem levaram Nunes Marques a declarar impedimento; Flávio Dino pediu vista e suspendeu análise
O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiria a abertura de uma investigação sobre Alexandre de Moraes teve o cenário alterado após a circulação de mensagens que mencionariam Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques.
Segundo reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, havia uma expectativa de cinco votos favoráveis à abertura da investigação e quatro contrários.
A situação mudou na noite anterior à sessão, após informações sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a reportagem, o conteúdo faria referência a supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, que nega ter recebido os valores.
As mensagens chegaram ao conhecimento de Nunes Marques, que comunicou a Moraes que se declararia impedido de participar do julgamento.
No início da sessão, Nunes Marques confirmou o impedimento e deixou o plenário. “Na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”, declarou.
A saída do ministro alterou a composição da votação. Nunes Marques era considerado um dos integrantes que poderiam votar pela abertura da investigação contra Moraes.
Durante a sessão, ministros também discutiram as informações relacionadas ao filho de Nunes Marques e a possível influência delas sobre a participação do magistrado no julgamento.
Antes que houvesse uma decisão, o ministro Flávio Dino pediu vista do processo, suspendendo a análise. Com isso, o STF não concluiu a votação sobre a abertura da investigação contra Moraes.
As informações sobre os supostos pagamentos são objeto de relatos jornalísticos e foram negadas por Kevin Marques. A existência de mensagens citadas na reportagem não estabelece, por si só, a ocorrência de irregularidade.
