Corregedoria do TSE libera canal “Exército do Lula” após suspensão determinada por Nunes Marques

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A Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral suspendeu neste domingo (11) a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que havia determinado a retirada do ar do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp.

Administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o canal reúne mais de 3 milhões de participantes e foi criado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral. A decisão da Corregedoria também submeteu o caso à análise do plenário do TSE.

A suspensão havia sido determinada por Nunes Marques após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusou o canal de disseminar informações falsas sobre o candidato, incluindo alegações relacionadas ao Bolsa Família, às aposentadorias e à posição de Flávio sobre Nossa Senhora Aparecida.

O ministro argumentou que a circulação de conteúdos já considerados inverídicos pela Justiça Eleitoral poderia comprometer o equilíbrio da disputa. Janones, por sua vez, negou as acusações e afirmou que o canal estava voltado à mobilização de apoiadores, sem ter publicado os conteúdos questionados.

A decisão inicial provocou reação da campanha de Lula, que acusou o presidente do TSE de censura e parcialidade em favor de Flávio Bolsonaro. Em nota, a equipe petista questionou a atuação de Nunes Marques, alegando que o ministro teria decidido sobre o caso sem respeitar a competência do corregedor eleitoral, que já conduzia o processo.

A campanha anunciou que buscaria medidas jurídicas contra a decisão e afirmou que a suspensão de um canal com milhões de participantes restringia a mobilização política às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O episódio ocorre em meio a outra contestação da campanha petista, que acusa a Meta, controladora do WhatsApp, Instagram e Facebook, de restringir a distribuição de suas publicações. O TSE deu prazo de 48 horas para que a empresa esclareça possíveis limitações de alcance, recomendações e bloqueios geográficos.

A Meta reconheceu a ocorrência de problemas técnicos, mas negou que tenham prejudicado especificamente a campanha de Lula e declarou cumprir as regras eleitorais. Com a disputa sobre o canal e as denúncias envolvendo as plataformas digitais, a atuação da Justiça Eleitoral e a transparência dos mecanismos de circulação de conteúdo político passaram a ocupar lugar central no debate sobre as condições da campanha.

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Leticia Vieira de Mendonça

Letícia Mendonça é cientista social formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisadora, professora, social mídia e colunista do Canal Pororoca. Se debruça no estudos sobre violência urbana, segurança pública, desigualdades sociais e dinâmicas territoriais.

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