Ao receber navio da China e reforçar o Brics, Brasil desafia estratégia dos EUA
(Fonte: Sociedade Militar. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo)
A autorização do governo brasileiro para a atracação de um navio-hospital da Marinha da China em águas nacionais ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos tornam pública uma nova Estratégia Nacional de Defesa voltada a reduzir — e, quando possível, eliminar — a presença de potências estrangeiras no Hemisfério Ocidental.
A coincidência temporal transforma um ato formalmente diplomático em um gesto carregado de significado geopolítico e evidencia um choque direto entre as prioridades estratégicas de Brasília e Washington.
Brasil e Estados Unidos passam, assim, a operar em vetores distintos nos planos político, diplomático e econômico. Enquanto o Brasil reforça uma política externa baseada no multilateralismo, na solução pacífica de conflitos, no fortalecimento da voz dos países em desenvolvimento e na ampliação da cooperação internacional, os Estados Unidos sinalizam uma releitura contemporânea da Doutrina Monroe.
Essa atualização busca assegurar controle estratégico do Hemisfério Ocidental por meio de presença militar ampliada, domínio sobre ativos estratégicos — como terras-raras e infraestrutura crítica —, relações bilaterais assimétricas e a redução da influência de potências extrarregionais, especialmente a China.
Essas diretrizes estão explicitadas nas versões mais recentes das Estratégias Nacionais de Defesa de ambos os países. O Brasil divulgou a sua no início de novembro e deixou claro que o país corre o risco de ser arrastado para conflitos regionais, agravados pela competição entre grandes potências.
Já os Estados Unidos publicaram a atualização no site da Casa Branca semanas depois, em 4 de dezembro, reforçando o contraste de abordagens.
