Venezuelanos marcham em Caracas por libertação de Maduro e primeira-dama
(Fonte: Brasil de Fato. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo)
Venezuelanos estão mobilizados nas ruas de Caracas, capital do país, neste domingo (4), para cobrar a libertação do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, sequestrados na madrugada de sábado (3) pelos Estados Unidos. Os atos, que tiveram início ainda no sábado, rejeitam a ação estadunidense de ataque à soberania nacional e à ordem democrática.
Os manifestantes também denunciam que este ataque não é um isolado, mas faz parte de uma política de hostilidade de Washington contra a Venezuela e outros países da região. Nos últimos meses, os Estados Unidos fizeram operações militares no Caribe, com execuções extrajudiciais sob a alegação de serem operações antidrogas, bloqueios navais, além do roubo de carregamentos de petróleo venezuelano, sem respaldo legal e autorização internacional.

“Exigimos respeito. Por isso estamos nas ruas, respaldando o nosso presidente Nicolás Maduro. O povo está nas ruas. Aqui estão as mulheres da pátria, as mulheres combatentes. Maduro não está sozinho. Cilia, conta com o povo”, declarou uma das participantes do ato à Telesur, emissora multiestatal parceira do Brasil de Fato.
Outra manifestante destacou a necessidade de respeito à soberania nacional. “Queremos o retorno do nosso presidente constitucional, que elegemos democraticamente, com uma participação democrática. O povo está na rua. Maduro e Cilia têm apoio”, disse à emissora com sede em Caracas.

Um dos participantes reforçou que se trata de um protesto pacífico e democrático. “Estamos aqui em defesa da nossa soberania. Pedimos que os comerciantes mantenham as lojas abertas. Estamos nas ruas pela paz.”
“O chamado é para nos unirmos, aqui não se tratam de cores, se trata da nossa nação, do nosso povo inteiro. Quando cai uma bomba, não tem nome, não tem sobrenome. Agora é pelo presidente Maduro, mas logo quem vem? É contra todo o povo venezuelano. Não vamos aceitar”, declarou a manifestante à Telesur.
Também foram registrados atos motorizados pela capital venezuelana. “A Revolução Bolivariana se posiciona no mundo contra a ingerência internacional”, declarou um dos motoqueiros.
Entenda
Na madrugada de sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra a Venezuela, atingindo alvos civis e militares em Caracas e em outras regiões do país. A ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, que foram levados para os Estados Unidos. O governo venezuelano decretou estado de comoção externa e convocou mobilizações em defesa da soberania nacional.
Durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca quer administrar a Venezuela até que seja realizada uma “transição democrática e justa”. Ele celebrou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ataque extraordinário”. Trump também deixou claro o interesse direto no controle do petróleo venezuelano, afirmando que o recurso foi “roubado” dos Estados Unidos e que será entregue a uma empresa estadunidense.
Apoio internacional
No sábado (3), diversas cidades ao redor do mundo registraram protestos contra os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Em Washington, manifestantes se reuniram em frente à Casa Branca para condenar a operação militar. Cartazes exibiam frases como “Trump bombardeou a Venezuela sem autoridade”, denunciando o caráter unilateral da intervenção.
Em Londres, o protesto foi realizado diante da embaixada dos Estados Unidos, com palavras de ordem como “Tirem as mãos da Venezuela” e pedidos pela libertação imediata de Maduro.
Na Europa, organizações sindicais, partidos de esquerda e entidades de defesa dos direitos de migrantes convocaram mobilizações em Berlim, Barcelona, Marselha, Paris e Atenas. Os protestos denunciaram o imperialismo estadunidense e exigiram posicionamento de seus governos contra a ação militar liderada por Trump.
Na Argentina, atos ocorreram em Buenos Aires e em Rosário, com concentração em frente à embaixada estadunidense sob forte aparato policial. Manifestações também foram registradas no México e no Chile, com faixas e palavras de ordem em defesa da soberania venezuelana. Em Cuba, os atos foram liderados pelo próprio presidente Miguel Díaz-Canel.
* Com informações de Telesur
Editado por: Monyse Ravena
