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Um pouco tardia, mas como diz o ditado: “antes tarde do que nunca”. Lula junta as Forças Armadas e começa a preparar o país para uma conjuntura internacional tensa

Fonte: Valor Econômico. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, na quinta-feira (15), uma reunião com o ministro da Defesa, José Múcio, e os três comandantes das Forças Armadas para debater a atual situação da defesa nacional, após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. O Valor apurou com fontes do governo que o episódio redobrou a preocupação com a segurança nas fronteiras brasileiras, especialmente após cortes orçamentários na pasta nos últimos anos.

Em paralelo, pesquisa Quaest divulgada na quinta revelou que 58% dos brasileiros dizem ter medo de que algo parecido com a ação americana na Venezuela possa acontecer no Brasil. Outros 40% responderam que não têm medo. O Brasil faz fronteira com a Venezuela, no Estado de Roraima, por onde refugiados venezuelanos entram no país. Próximo dali, perto da foz do rio Amazonas, a Petrobras recebeu autorização para pesquisar petróleo na Margem Equatorial.

A conversa entre o presidente, o ministro e os comandantes teve caráter preliminar, e Lula encomendou um relatório detalhado e propostas para turbinar a segurança ao ministro e às três Forças. Assim, uma nova agenda para dar continuidade à discussão ainda deve acontecer.

O encontro ocorreu a pedido do próprio presidente da República a Múcio, na esteira da ação dos Estados Unidos na América do Sul. Após a invasão americana na Venezuela no último dia 3, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas, Lula deu ao chefe da pasta um panorama atualizado da defesa nacional. Vários projetos estratégicos da área avançam com lentidão, ou estão parados, por falta de orçamento. O maior investimento na pasta, inclusive, é um pedido recorrente do próprio ministro e dos comandantes das Forças ao governo federal.

Os acontecimentos na Venezuela estão sendo monitorados de perto pelo Palácio do Planalto desde o ano passado, quando a tensão na região aumentou. Em setembro, por exemplo, Múcio admitiu que o Brasil estava em estado de alerta com a situação. Na época, disse que não queria que sua fronteira se transforme em uma “trincheira”.

“Isso é como briga de vizinho. Eu não quero que mexam no meu muro, não quero que tirem a fiação da frente da casa, que mexam na minha casa. Torcemos para que passe”, comentou o ministro em 5 de setembro, após um almoço com Lula e comandantes das Forças Armadas no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência.

No dia 3 de janeiro, logo após a ação americana, Lula divulgou uma nota em que condenou a ação dos Estados Unidos. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou o presidente.

“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, completou.

Por Sofia Aguiar e Andréa Jubé

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