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Trump volta a ameaçar a Groenlândia e usa tarifas como arma para impor anexação

A Groenlândia voltou ao centro de uma disputa geopolítica de grandes proporções após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomar de forma explícita a defesa da anexação do território autônomo dinamarquês. Segundo informações da CNN, Washington passou a justificar a proposta com argumentos de segurança nacional e disputa estratégica no Ártico, citando a presença da Rússia e da China na região. Além disso, Trump anunciou tarifas comerciais contra países europeus da Otan e passou a tratar a compra da ilha como condição para o recuo das sanções.

A nova ofensiva escancara uma lógica imperial clássica, baseada na coerção econômica, na ameaça militar e na negação do direito de autodeterminação dos povos. Trump afirmou que imporá uma sobretaxa inicial de 10% sobre produtos de oito países europeus — entre eles Dinamarca, França, Alemanha e Reino Unido — a partir de fevereiro, com aumento progressivo até que os Estados Unidos sejam autorizados a adquirir “por completo” a Groenlândia.

Uma ambição antiga

O interesse norte-americano pela Groenlândia não é recente. Como detalhou o g1, desde o século XIX Washington avalia a incorporação do território como parte de sua estratégia de expansão no Atlântico Norte, sobretudo em razão de sua posição geopolítica privilegiada. Ao longo do tempo, a ilha passou a ser vista como ponto-chave para o controle de rotas marítimas, vigilância militar e projeção de poder na região ártica.

Durante a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, na Guerra Fria, os Estados Unidos ampliaram de forma significativa sua presença na Groenlândia, com a instalação de bases militares que permanecem ativas até hoje. Segundo a CNN, a Base Espacial de Pituffik, localizada no noroeste do território, é considerada peça central do sistema americano de alerta antecipado contra mísseis balísticos.

A base espacial Pituffik, na Groenlândia, anteriormente chamada de base aérea de Thule, é propriedade dos Estados Unidos — Foto: AFP

O que muda no contexto atual é o abandono de qualquer pretensão diplomática por parte da administração Trump. Em declarações recentes, o presidente chegou a zombar da capacidade militar da Dinamarca para proteger a ilha, evidenciando o caráter assimétrico da relação entre os dois países.

Tarifas, Otan em crise e escalada autoritária

A decisão de sancionar países da própria Otan — muitos deles participantes de exercícios militares na Groenlândia — aprofunda uma crise inédita dentro da aliança atlântica. Ao penalizar aliados históricos, Trump transforma o comércio internacional em arma política e coloca em xeque os próprios pilares do bloco ocidental que os EUA dizem liderar.

A escalada ocorre em meio a um cenário de crescente militarização da política externa norte-americana, que inclui intervenções diretas no hemisfério ocidental e ameaças abertas a países da América Latina. A Groenlândia surge, assim, como mais um capítulo de uma estratégia global baseada na força, no unilateralismo e na intimidação.

Resistência popular e rejeição à anexação

Enquanto Washington intensifica a pressão, a resposta popular na Groenlândia e na Dinamarca tem sido explícita. Milhares de pessoas foram às ruas em Copenhague, além de protestos registrados em Nuuk, Aarhus, Aalborg e Odense, em manifestações contra os planos de anexação anunciados por Donald Trump. Na capital dinamarquesa, os atos se concentraram na Praça da Prefeitura e seguiram até a embaixada dos Estados Unidos, com palavras de ordem como “a Groenlândia não está à venda”, segundo informações da UOL.

Manifestantes participam de um protesto em apoio à Groenlândia em Copenhague, Dinamarca, em 17 de janeiro de 2026. REUTERS/Tom Little

O repúdio também se expressa nos dados. De acordo com pesquisas citadas pela UOL, 85% da população groenlandesa se opõe ao controle americano da ilha, enquanto apenas 6% se declaram favoráveis.

Lideranças locais e organizações indígenas alertam que o território e seu povo foram transformados, contra sua vontade, em linha de frente de uma disputa entre potências.

Segurança para quem?

Sob o discurso da “segurança global”, os Estados Unidos reforçam uma lógica que subordina territórios, povos e arranjos democráticos a interesses estratégicos e econômicos. No caso da Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca e habitado majoritariamente por povos inuítes, o que se observa é a tentativa de reduzir toda uma sociedade a um ativo geopolítico em uma disputa entre grandes potências.

A Groenlândia ocupa uma posição estratégica nas rotas marítimas do Atlântico Norte e do Ártico, região que ganha importância com o derretimento das calotas polares e a abertura de novas vias de navegação. Além disso, o território integra o chamado corredor GIUK (Groenlândia–Islândia–Reino Unido), considerado crucial para o monitoramento de movimentações navais e submarinas, especialmente da Rússia. Não por acaso, a presença militar americana na ilha permanece como um dos pilares do sistema de vigilância e alerta antecipado dos Estados Unidos.

Fontes: G1, CNN, UOL, InfoMoney25.

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