Politica

A experiência cubana e o desejo de uma juventude organizada e revolucionária como horizonte político no Brasil

Fonte: Publicado originalmente, na íntegra, pelo jornal cubano Juventud Rebelde. Tradução própria.

CUBA encerrou mais um ano de resistência épica.
Está visível, nas prateleiras que aguardam produtos básicos, a incerteza que acompanha o dia a dia e a urgência de soluções que não admitem mais adiamentos. A direção política e estatal tem sido clara: a economia e a vida cotidiana exigem respostas mais profundas, rápidas e responsáveis.

Estão equivocados aqueles que pensam que mudar esse estado de coisas requer apenas incentivos adequados à economia. Sem uma renovada compulsão e mobilização política, os obstáculos serão maiores e as metas mais difíceis de alcançar. Não é por acaso que se reivindica a mobilização da ação coletiva. E nesse “todos” há um setor cuja força, energia e talento constituem um reservatório estratégico ainda não plenamente mobilizado: as juventudes.

Não se trata de uma simples apreciação deste repórter, que teve a oportunidade de acompanhá-los em várias de suas iniciativas; essa necessidade é constantemente reivindicada também pela máxima direção do país. E o faz porque, em momentos como estes, nossa história demonstra que as novas gerações sempre estiveram na linha de frente do sacrifício, na vanguarda da disposição para assumir as missões mais difíceis e arriscadas, prontas para realizar os maiores esforços e contribuir para a recuperação e o bem-estar da nação.

Pensemos, por exemplo, nos atos de heroísmo cotidiano dos últimos tempos: os jovens que, durante a pandemia da COVID-19, assumiram a busca ativa nas comunidades; os heróis do resgate no hotel Saratoga ou no incêndio de Matanzas; aqueles que recentemente subiram serras no oriente do país para avaliar danos e estender a mão após o furacão Melissa; os que conciliam seus estudos universitários com a nobre tarefa de lecionar; os que, com admirável firmeza, dirigem entidades-chave do país.

A contribuição de segmentos juvenis de vanguarda é palpável. Mas ainda falta muito. O próprio Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, insiste que “sempre há uma tarefa a ser dada aos jovens, há sempre alguma tarefa para convocá-los ou comprometê-los, porque se sabe que, estando em suas mãos, ela se potencializa mais, se desenvolve mais e também os compromete e lhes dá um espaço para participar”.

Essa convicção tem raízes na própria essência do projeto revolucionário. Díaz-Canel recordou, no 11º Pleno do Comitê Central do Partido Comunista, que a Revolução “nasceu como um projeto de juventude e só poderá continuar se os jovens a sentirem e a fizerem sua”. O Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz, cujo centenário celebraremos em 2026, depositou sua confiança no que esta geração é capaz de aportar. O General de Exército Raúl Castro Ruz nos pediu que esta fosse sempre uma Revolução jovem.

A pergunta, então, é urgente: como alcançar essa vitalidade permanente se ainda não fomos capazes de motivar e mobilizar, em toda a sua dimensão, a centelha e as novas formas de fazer de nossos jovens? Para as vanguardas juvenis, talvez aí resida o maior desafio. E a principal responsabilidade nesse empenho cabe à União de Jovens Comunistas (UJC). Por mandato constitucional, é a organização chamada a conduzir, estimular e canalizar esse caudal de energia.

Para isso, deve empreender uma transformação profunda. Precisa transcender a percepção, real em muitos espaços, de reduzir seu papel de liderança à elaboração da ata de uma reunião, à coleta da contribuição financeira e aos encontros formais. A Juventude Comunista e seu arco de organizações precisam se converter no catalisador dinâmico de iniciativas, no espaço onde a criatividade encontre um canal concreto e responsável. Têm diante de si a tarefa de se reinventar para inspirar, para ser um ímã.

Esse ideal de liderança exige resolver um conjunto de problemas que hoje continuam ferindo o vínculo e a participação política efetiva das novas gerações. O 11º Pleno do Comitê Central do Partido foi claro ao orientar “que em cada província e município se trabalhe junto às organizações juvenis e estudantis em planos específicos para a inserção laboral dos jovens, para o acompanhamento daqueles que nem estudam nem trabalham e para o desenvolvimento de empreendimentos produtivos e sociais que canalizem a criatividade e a responsabilidade das novas gerações”.

O Presidente disse isso com crueza e clareza: “não nos resignamos a que o talento jovem seja desperdiçado e que a migração continue sendo um projeto de vida”. Não, isso não pode continuar sendo assim, porque a juventude cubana não é apenas beneficiária das políticas sociais, é protagonista da transformação.

O debate recém-concluído do Programa de Governo para corrigir distorções e reimpulsionar a economia precisa ter a marca irreverente e propositiva dos jovens. Não pode ser um exercício teórico alheio às pesquisas que hoje dormem em gavetas universitárias, à ciência jovem que demanda espaços em laboratórios, à força inovadora que busca formas de se materializar. Se “todas” as barreiras devem ser superadas, para isso é vital escutar-nos, aproximar-nos, unir-nos sem temor de impulsionar todas as mudanças que o novo contexto exige.

Por isso, 2026 pode e deve ser um ano simbólico de dupla consagração. Dedicado ao centenário de Fidel, deve ser também o ano das juventudes cubanas. Não por decreto, mas por obras e fatos concretos. Precisa ser o ano em que essa força se multiplique em todos os cenários, rompa a inércia paralisante, ajude na mudança de mentalidade que muitos anseiam e contribua para eliminar insuficiências, lentidões e obstáculos.

No processo político Mãos pela Cuba, iniciado recentemente sob a liderança da UJC, existe uma oportunidade imensa para materializar muitos aportes e dar visibilidade às soluções dos problemas mencionados. E pode sê-lo ainda mais porque foi pensado e desenhado a partir de várias frentes dedicadas às atividades produtivas, à infraestrutura social ou ao apoio a setores priorizados; às rotas e encontros com a história, sobretudo a partir do local; ao trabalho social comunitário, articulando higienização, atividades recreativas, esportivas e artísticas; à atenção aos jovens em situação de vulnerabilidade, a lares de crianças sem cuidado parental e às casas de idosos.

Façamos de 2026 o motivo para que todo jovem volte a pensar seu projeto de vida em Cuba com força e esperança. Uma mobilização que comece no bairro e alcance todos os espaços. Cultivar a certeza de que seu futuro será aqui, em sua Pátria, e que se constrói com a vontade coletiva.

Militem ou não na UJC, os jovens devem ser conquistados e envolvidos para se sentirem parte essencial de um futuro possível e digno nesta terra. É, talvez, a oportunidade mais decisiva para participar, criar, sonhar e contribuir. Construir a Cuba que queremos e precisamos não é mais do que fazer, afinal de contas, por nós mesmos. A hora, sem dúvida, é da juventude. Que sua resposta defina o amanhã

por YUNIEL LABACENA ROMERO

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