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Um desfile para ficar na história dos carnavais

A inveja e o olho grande são monstruosos em relação à homenagem prestada ao Lula pela Escola de Samba de Niterói.

Somente figuras históricas, em vida ou mortos, receberam agraciamentos como este ao Lula.

Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Chica da Silva Oscar Niemeyer, Jorge Amado, Betinho, Beth Carvalho, Grande Otelo …

O ano eleitoral não pode servir de censura ou até miopia cultural.

O fenômeno Lula é único, nacional e internacionalmente, pois não há conciliador de classes com lado, que tenha sobrevivido por tanto tempo e a tanta perseguição.

Carnaval é alegria, é sátira, é história, desde a sua origem; já foi combatido pelo conservadorismo, pela polícia política e de costumes.

Durante e logo após a ditadura, quando se tinha fome de liberdade, uma grande parte das escolas exaltaram a LIBERDADE em enredos.

• 1967 Acadêmicos do Salgueiro, enredo História da Liberdade no Brasil.

• 1986, o Brasil vivia a transição da ditadura para a democracia institucional. Império Serrano, 1986 – “Eu quero”: “Me dá, me dá/ Me dá o que é meu/ Foram vinte anos que alguém comeu”.

• Imperatriz Leopoldinense (1989) – “Liberdade, Liberdade! Abre as asas sobre nós.

• Em 1989, a Beija-Flor de Nilópolis marcou época com “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, denunciando desigualdades no contexto da redemocratização.

• União da Ilha do Governador 2000 – Pra não dizer que não falei das flores.

• Em 2018, o Paraíso do Tuiuti promoveu forte crítica aos retrocessos sociais com “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”.

A escola de Niterói fez um enredo com muita fidedignidade à história recente, que até registraram Bolsonaro arrebentando a tornozeleira e preso na Papudinha.

Carnaval é irresistível!

Evoé Momo!

NOTA OFICIAL DA ACADÊMICOS DE NITERÓI

A Acadêmicos de Niterói começa essa mensagem agradecendo, de coração aberto, à sua comunidade. O que vivemos na Avenida só foi possível graças à força do povo, à união dos nossos componentes e ao amor de quem nunca deixou essa escola caminhar sozinha.

Mas é preciso dizer a verdade.

Durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca. Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar.

Não conseguiram.

Mesmo pressionada, a Acadêmicos de Niterói não se curvou. Nos posicionamos, resistimos e levamos para a Avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade.

A força da nossa comunidade foi o nosso pilar. A aclamação popular foi a nossa resposta. O carinho do público foi o nosso maior prêmio.

Também não ignoramos o histórico conhecido no Carnaval: a narrativa injusta de que “quem sobe, desce”. Por isso, reafirmamos com firmeza que esperamos um julgamento justo, técnico e transparente, que respeite o que foi apresentado na Avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos.

A nossa mensagem ecoa clara, forte e sem medo.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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