Agora no BrasilArtigosDestaquesPolitica

A negação e omissão daqueles que devem

No dia 25 de Março de 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou algo evidente há anos: o tráfico transatlântico de africanos escravizados, foi um dos maiores crimes da história da humanidade. 

Não é força de expressão. 

Não é retórica. 

É um reconhecimento tardio de um sistema que sequestrou milhões de pessoas, destruiu sociedades inteiras e construiu a base econômica de potências que hoje se apresentam como guardiãs da democracia. 

O Tráfico Transatlântico de Escravizados não ficou no passado. Ele está vivo, nos indicadores sociais, na desigualdade racial e na violência cotidiana que o racismo segue organizando no mundo. 

O racismo não é um desvio. 

É uma herança direta desse processo. 

E sem dúvida, um dos maiores males da sociedade contemporânea. 

Relatórios de organizações como Human Rights Watch e a Amnesty International e IBGE mostram, ano após ano, que populações negras seguem sendo as mais atingidas por pobreza, violência e exclusão. 

Isso não é coincidência histórica. 

É continuidade. 

Países como Estados Unidos, Israel e Argentina, se colocam no cenário internacional como defensores dos direitos humanos, mas operam, cada qual dentro do seu contexto atual, dentro de lógicas que ignoram, ou relativizam esse passado, quando deveriam ser responsabilizados no presente. 

Os Estados Unidos, que enriqueceram diretamente com a escravidão, seguem exportando uma política externa baseada em interesses estratégicos travestidos de desefa da liberdade. Israel, constantemente questionado em organismos internacionais, mantém uma postura de enfrentamento seletivo às críticas globais. A Argentina, por sua vez, se alinha politicamente a blocos que frequentemente esvaziam debates estruturais sobre desigualdade e reparação. 

Estados Unidos, Israel e Argentina se colocam de frente ao voltarem contra a resolução proposta pela ONU, mas a abstenção de mais de 52 países como Portugal e Espanha, também acende um alerta inquietante do porquê se abstiveram de se posicionar sobre reconhecer um dos maiores crimes da humanidade. 

Países esses, que tiveram participação efetiva e incisiva nessa época histórica que deixou marcas severas no mundo até hoje, por não terem sido expostas e curadas, apenas tapada de forma precária e desumana. 

E lembrar que não basta chamar de crime. É preciso enfrentar consequências. E isso significa mexer em estruturas, rever privilégios, encarar o racismo como problema central, não apenas pontual. 

Porque enquanto o mundo tratar o período da escravidão como passado encerrado, suas consequências seguem organizando o presente. 

Enfrentar as negativas e questionar o silêncio é parte crucial para se entender e enfrentar o que está diante de nós todos os dias. 

Por Letícia Vieira de Mendonça.

Assine nossa newsletter para receber notícias diárias!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *