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Estamos colhendo mais espinhos do que rosas no vasto jardim da vida

O recrudescimento do fascismo não é obra do acaso e nem caiu do céu. 

Com a queda do muro de Berlin e o fim da União Soviética, a dialética revolucionária cedeu para a acomodação do antagonismo ideológico. Gorbachev e Yeltsin foram os coveiros do socialismo como alternativa ao capitalismo predatório. Durante longos anos o mundo capitalista viveu ajustes e não reformas capazes de alterações estruturais na natureza predatória do sistema.

Recentemente com o estágio alcançado pelo socialismo chinês, a via socialista voltou à pauta internacional, notadamente quando o capitalismo em seu estágio último, o imperialismo, está em crise estrutural, pois já não se sustenta com a exploração e opressão a dezenas de países vassalos. Ele quer mais, sugar muito mais para retardar o seu declínio. Já não passa verniz jurídico para as suas ações salteadoras, sequestra presidente de um país, e em pouco tempo fica amortecido, o mundo se cala frente ao bandoleiro.

O direito internacional virou letra morta, a soberania virou relativa, a depender do arsenal de cada parte. Poucos dirigentes e líderes assertivam valores ideológicos contrários aos da burguesia internacional.  Trump assume sem pena o darwinismo social e o malthusianismo bélico e ficamos todos a ver navios. Atira pedra no telhado vizinho quando seu telhado já não existe, porque é o país que mais produz e fornece armas para quase todos os países e grupos criminosos. 

Os presidentes da China, da Colômbia e do México transmitem narrativas com valores de um mundo de paz e humanista. Isso nos remete a indagações: como o Vietnam se mantém socialista, como a Coreia do Norte se mantém aguerridamente anti estadunidense, como Cuba está sob cerco, como a América do Sul está sob pressão permanente dos USA, e vem à reflexão Duas Táticas de Lênin. 

Os bolcheviques venceram lá e realizaram a revolução, os mencheviques venceram aqui e alhures e fizeram a conciliação que gerou ilusões. 

O Brasil é o maior país da América latina, mas não lidera. Depois do impedimento da Venezuela entrar nos Brics e após o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nosso país, Brasil, tem mais aparência do que o gigante despertado. A via da conciliação excomungou a luta ideológica; a utopia desapareceu do horizonte, os sonhos se transformaram em pesadelos fascistas. 

Gostaria de ter receita nova, mas não a tenho, nem sei se existe, fico com a antiga: travar a luta contra o capitalismo e o imperialismo, sem disfarce, sem timidez, sem reserva, e por um socialismo da paz.

Vamos plantar mais e colhermos rosas em abundância, pois os espinhos ferem a alma.

21 de abril, rememoramos a luta de um libertário patriota, é adubo na plantação e rega da ideologia socialista.

Francisco Celso Calmon.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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