A hora e a vez do Espírito Santo
O ES não deveria andar na contramão do progresso político-social. Deveria tirar a máscara soldada de estado fraco politicamente frente aos demais e se transformar num estado socialdemocrata, com o melhor IDH, sem analfabetismo, com o menor nível de insegurança pública, com uma rede de saúde, com o melhor do SUS e trazendo as melhores redes privadas, como a Dor, para serem instaladas aqui, evitando o que se comenta na elite endinheirada capixaba de que o melhor plano de saúde é a ponte aérea Vitória x SP.
Deveria implantar a reforma agraria e ser um exemplo de mutirão público/privado agrícola e social, gerando alto rendimento na agricultura familiar e no controle ambiental.
O fascismo está recrudescendo em todo o mundo. No Brasil, em algumas capitais ficaram remanescentes dessa ideologia, inclusive no nosso Estado, desde a década de 30.
Com o fascismo não há conciliação. Não podemos enfrentar a extrema-direita com luvas de veludo, temos que bater forte, é o presente e o futuro de nossos filhos, netos e bisnetos que estamos a palmilhar.
No ES a dose é dupla, tanto Ricardo, como Pasolini são o que há de pior da direita bolsonarista.
Hélder Salomão, o candidato da esquerda democrática, testado como prefeito e parlamentar, deve enfrentar, sem tergiversação, essa dupla fascistoide; um é o representante da velha oligarquia e um tanto porra-louco, o outro, o novo do autoritarismo e promiscuo com as coisas públicas e com a liturgia do cargo.
O nível de debate no primeiro turno deverá ser muito superficial, por isso, levar o Hélder ao segundo turno é a possibilidade de um confronto de ideias, deixando transparentes as propostas da extrema-direita e da esquerda democrática e progressista.
Chegou a hora da militância fazer um esforço, gastar sola de sapato, e cair em campo para fazer o debate, organizar e angariar votos.
A Frente eleitoral que está com Hélder deveria apresentar um diagnóstico e prognóstico da situação do estado e um programa de governo. Não basta só linhas gerais. Os capixabas precisam sonhar com um estado social-democrático.
Sublinhar o que houve de progresso com governadores progressistas, como Vitor, Albuíno, Max Mauro.
Enfatizar sobretudo a forte ligação do Hélder com o Lula, que irá para o seu derradeiro mandato, no qual envidará todos os esforças para fazer o melhor para o povo brasileiro.
Colar com superbonder que de um lado são os candidatos de um criminoso, Bolsonaro, de outro lado é o candidato do Lula.
Distinguir também as boas maneiras do Hélder, a alma de poeta, e as truculências dos extremistas da direita bolsonarista.
Quem apoia delinquentes, como eles que apoiam o famigerado Bolsonaro, são politicamente cúmplices.
As milícias estão avançando no domínio em vários estados e capitais, da zona norte à zona sul; se não houver atuações preventivas, nosso futuro poderá ser trágico, especialmente em Vitória, que, sendo uma ilha, pode ser cercada pelo crime organizado.
A Copa acabou, vamos mostrar que o nosso time político não é corrupto e mafioso como a FIFA, e nem sem vibração e identidade como a nossa seleção, dirigida por um estrangeiro que desconhece a cultura nacional.
Este é o timing certo para uma nova ruptura com o conservadorismo e o elitismo reacionário do Espírito Santo.
Há também um naipe de candidaturas femininas para o Parlamento muito expressivo política e ideologicamente, tanto do PT como do PSOL.
Privilegiando o voto feminino poder-se-á compor uma ALES como dantes houvera.
Dois candidatos da extrema-direita disputam entre si para mostrar quem é mais bolsonarista.
Quem não quer eleger Flávio Corruptus, não deve também votar em Ricardo e em Pasolini.
Ricardo é um político radicalmente de direita, impetuoso e porra-louco, ao ponto de quando senador ter sequestrado o seu homólogo boliviano, Molina, à guisa de ser uma questão humanitária.
Neste curto período como governador já mostrou sua fúria contra o MST.
Pasolini, radical bolsonarista, é aquele que incentivou invadir hospitais na época da COVID para verificar se havia leitos ocupados.
Senador aliado do Lula é o atual senador Contarato, que irá tentar ser reeleito.
Como são duas vagas, devemos escolher um segundo candidato.
Quem deve ser?
Renato Casagrande da direita do PSB e que nunca apoiou abertamente nem Lula e nem Dilma, ou Fabian do PSOL?
Depende com quem vai se aliar Casagrande, se com Hélder ou não.
As conversações com ele devem ser objetivas: ou antes do início da propaganda eleitoral ele declara apoio ao Lula ou iremos de Contarato/Fabian.
As condições estão favoráveis para elegermos no ES democratas progressistas.
Francisco Celso Calmon
