A tortura na ditadura não poupou civis: documentos desmentem mito de que apenas “bandidos” eram alvos do regime
A narrativa de que a repressão da ditadura militar brasileira atingia apenas criminosos é completamente desmentida pelos documentos oficiais do Estado e pelos registros históricos de órgãos de apuração. Arquivos e investigações oficiais comprovam que a máquina de terror do regime foi direcionada de forma sistemática contra estudantes, trabalhadores, jornalistas, professores, religiosos, parlamentares e militantes civis.
De acordo com os dados compilados pela Comissão Nacional da Verdade, pelo Arquivo Nacional, pelo centro de Referência Memórias Reveladas e pela Comissão de Anistia, a violência estatal incluiu tortura sistemática, agressões sexuais contra mulheres e episódios gravíssimos de crianças levadas aos centros de detenção do DOI-CODI para presenciarem a tortura de seus próprios pais.
A documentação histórica reforça um princípio jurídico e civilizatório inegociável: mesmo diante de suspeitas ou crimes cometidos, o Estado não tem o direito de recorrer à tortura ou à execução sumária. No Estado de Direito, um crime jamais se pune com outro crime, e a verdade histórica documentada serve para impedir que tais atrocidades sejam naturalizadas ou esquecidas.
