Até João Amoêdo critica juros reais de 9% e questiona decisão do Banco Central

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Fundador do Novo afirma que não faz sentido manter a Selic em patamar tão elevado diante da desaceleração econômica, mas atribui os juros altos à situação fiscal do governo.

O empresário João Amoêdo, fundador do Partido Novo e ex-candidato à Presidência da República, criticou a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Em publicação nas redes sociais, nesta quarta-feira (4), Amoêdo afirmou que a autoridade monetária erra ao manter os juros reais próximos de 9% ao ano em um momento de desaceleração da atividade econômica.

“Não faz sentido uma taxa de juros real próxima a 9% a.a com a economia desacelerando”, escreveu o empresário. Ele também questionou a decisão do Banco Central de manter a Selic com base nas expectativas reunidas pelo relatório Focus, elaborado a partir das projeções do mercado financeiro.

A crítica chama atenção por partir de uma figura identificada com o pensamento econômico liberal e a defesa do ajuste fiscal. Na mesma publicação, Amoêdo atribuiu as altas taxas de juros à situação das contas públicas e defendeu a redução das despesas governamentais e dos benefícios fiscais como caminho para reverter esse quadro. “Só a redução das despesas e dos benefícios fiscais poderá reverter esse quadro”, afirmou.

A manifestação ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic em 13,75% ao ano. Na justificativa, o Banco Central citou a persistência das pressões inflacionárias, as expectativas acima da meta, a desvalorização do real e as incertezas internacionais. Ao mesmo tempo, a instituição reconheceu sinais de desaceleração mais acentuada da economia, especialmente nos setores mais sensíveis às condições de crédito.

A posição de Amoêdo expõe uma divergência que também atravessa setores favoráveis ao ajuste fiscal: a avaliação sobre até que ponto o nível dos juros é adequado diante do enfraquecimento da atividade econômica. A discussão envolve o peso das projeções do mercado financeiro nas decisões do Banco Central e os efeitos da política monetária sobre o crédito, os investimentos e o crescimento do país.

Com a Selic em patamar elevado, famílias e empresas continuam enfrentando custos maiores para tomar empréstimos e financiar suas atividades. É importante que a lucidez seja capaz de apontar as incoerências que corroboram para as dificuldade já acentuadas da classe trabalhadora, mas é de suma importância também, que não esqueçamos que partidos como Novo e MBL, sejam responsabilizados pelos seus erros de diretrizes, porque apoiaram o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousself, e foi com apoio destes partidos, também, que o Bolsonarismo se tornou o que é hoje.

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Leticia Vieira de Mendonça

Letícia Mendonça é cientista social formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisadora, professora, social mídia e colunista do Canal Pororoca. Se debruça no estudos sobre violência urbana, segurança pública, desigualdades sociais e dinâmicas territoriais.

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