Bloqueio econômico e energético dos EUA contra Cuba: política genocida
Fontes: Agência Brasil/Brasil de Fato/ICL Notícias
O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classifica o bloqueio econômico e energético dos Estados Unidos (EUA) contra a ilha caribenha como uma “política genocida” que busca privar a população dos seus meios de subsistência.
Durante a entrevista a Agência Brasil, o embaixador destacou que Cuba vive uma situação de guerra não convencional, o que explicaria as atuais dificuldades enfrentadas pela população. Para o diplomata, a nova medida do governo Trump tem efeitos “devastadores” sobre a ilha, que tem adotado medidas de austeridade extrema e tem apostado na ampliação da energia solar e na solidariedade internacional.
Segundo Curbelo, sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. A soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba.
O ministro da Saúde de Cuba, José Ángel Portal Miranda, afirmou que o sistema de saúde do país está à beira do colapso devido ao bloqueio econômico e comercial imposto pelos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo.
Segundo Miranda, cerca de cinco milhões de cubanos com doenças crônicas podem enfrentar escassez de medicamentos ou adiamento de tratamentos. Entre os mais afetados estão 16 mil pacientes oncológicos que dependem de radioterapia e outros 12,4 mil que necessitam de quimioterapia.
Os serviços de cardiologia, ortopedia, oncologia e o atendimento a pacientes em estado crítico que dependem de energia elétrica de reserva estão entre as áreas mais impactadas. Tratamentos para doenças renais e os serviços de ambulância de emergência também foram incluídos na lista de serviços afetados.
Quase 33 mil mulheres grávidas em Cuba enfrentam riscos desnecessários devido ao endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, informou o Ministério da Saúde Pública (Minsap). A escassez de combustíveis impacta diretamente o atendimento médico e os serviços vitais do sistema de saúde.
Segundo dados do Minsap, as restrições no fornecimento de energia afetam principalmente o Programa de Assistência Materno-Infantil, com limitações no acesso de gestantes a ultrassonografias obstétricas para monitoramento fetal e estudos genéticos, essenciais para o diagnóstico precoce de malformações e complicações.
O embargo sobre o fornecimento de combustível também dificulta a mobilização das comissões médicas encarregadas de avaliar casos de morbidade materna extremamente grave e recém-nascidos em estado crítico, além de causar atrasos nos calendários de vacinação infantil.
As autoridades de saúde indicaram que essas interrupções podem impactar significativamente os 61.830 bebês com menos de um ano de idade que necessitam de cuidados especiais durante a primeira fase da vida.
Além disso, o atendimento a crianças com necessidades específicas, como ventilação domiciliar, aspiração mecânica e ar-condicionado, está comprometido devido ao fornecimento instável de energia elétrica e à disponibilidade limitada de transporte médico de emergência.
O Ministério da Saúde Pública de Cuba também alertou que a situação compromete ainda o atendimento a pacientes com câncer, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis, bem como o monitoramento de programas ligados a doenças transmissíveis, o que pode aumentar a mortalidade desses pacientes.
De acordo com reportagem do colunista Jamil Chade para o ICL Notícias, a ONU soa o alerta diante da situação humanitária em Cuba e faz um apelo para que o governo de Donald Trump retire as sanções e bloqueios contra a ilha.
Para a ONU, a situação é crítica. “Dada a dependência dos sistemas de saúde, alimentação e água em combustíveis fósseis importados, a atual escassez de petróleo colocou em risco a disponibilidade de serviços essenciais em todo o país”, alertou a porta-voz.
Segundo a entidade, unidades de terapia intensiva e salas de emergência estão comprometidas, assim como a produção, distribuição e armazenamento de vacinas, hemoderivados e outros medicamentos sensíveis à temperatura.
A ONU avalia que, em Cuba, mais de 80% dos equipamentos de bombeamento de água dependem de eletricidade, e os cortes de energia estão prejudicando o acesso à água potável, saneamento básico e higiene.
A escassez de combustível interrompeu o sistema de racionamento e a cesta básica de alimentos regulamentada, e afetou as redes de proteção social — alimentação escolar, maternidades e asilos — com os grupos mais vulneráveis sendo desproporcionalmente impactados.
Num alerta lançado na última sexta-feira, a entidade destaca que os cortes de energia também afetam as comunicações e o acesso à informação.
“O acesso a bens e serviços essenciais, incluindo alimentos, água, medicamentos e combustível e eletricidade adequados, deve ser sempre garantido, pois são fundamentais nas sociedades modernas para o direito à vida e para a capacidade de desfrutar de muitos outros direitos”, disse a porta-voz da ONU
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, reiterou seu apelo a todos os Estados para que suspendam as medidas setoriais unilaterais, dado o seu amplo e indiscriminado impacto sobre a população. Segundo ele: “Os objetivos políticos não podem justificar ações que, por si só, violam os direitos humanos”.
O endurecimento das sanções gerou também reações na comunidade internacional. Países aliados a Cuba expressaram solidariedade e enviaram ajuda humanitária. O México, por exemplo, despachou dois navios com alimentos, suprimentos médicos e outros recursos básicos. A ajuda internacional, no entanto, é insuficiente diante da escala do cerco imposto por Washington há mais de seis décadas.
