Centrão pressiona por espaço no governo Lula e disputa postos estratégicos hoje ocupados pelo PT
A montagem do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva já expõe uma disputa pelo comando político da próxima gestão. Partidos do Centrão articulam uma ofensiva para reduzir a presença do PT nos postos estratégicos do governo e ampliar sua influência sobre a relação do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional. Entre as principais reivindicações estão a Secretaria de Relações Institucionais, a Casa Civil e as lideranças governistas na Câmara, no Senado e no Congresso.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, União Brasil, PP, Republicanos, MDB e PSD movimentam-se para garantir espaço na nova Esplanada dos Ministérios. A movimentação chama atenção pelo posicionamento eleitoral de parte dessas legendas: União Brasil, PP e Republicanos apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto MDB e PSD mantiveram neutralidade. Agora, seus dirigentes buscam negociar participação no governo que ajudaram a enfrentar, direta ou indiretamente, nas urnas.
O líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), defendeu que o PT deixe de concentrar o comando da articulação política. Já o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, confirmou que a legenda foi procurada por interlocutores do Planalto. Entre os nomes que circulam nas negociações está o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), cotado para assumir a Secretaria de Relações Institucionais. O PP também tenta ampliar sua participação, com a indicação de Aguinaldo Ribeiro para um ministério.
O governo, por sua vez, sinaliza que a distribuição de cargos não será uma negociação sem contrapartidas. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), defende que as indicações partidárias estejam vinculadas à garantia de votos nas pautas prioritárias do Executivo. A orientação de Lula é evitar a repetição do cenário do terceiro mandato, quando partidos ocupavam ministérios, mas nem sempre entregavam apoio parlamentar às propostas do governo.
A disputa ocorre diante de um Congresso mais adverso para o Executivo. O PL terá 121 deputados federais e 29 senadores a partir da próxima legislatura, enquanto o PT contará com 70 deputados na Câmara. A ampliação da oposição aumenta a pressão por uma base parlamentar capaz de sustentar as iniciativas do governo, mas também amplia o poder de negociação das legendas de centro.
A questão que se coloca para o Lula 4 é como construir maioria no Congresso sem entregar aos partidos aliados o controle dos principais instrumentos de articulação do governo. A composição ministerial será também uma disputa sobre os rumos políticos da nova gestão, o peso do PT nas decisões e os limites das alianças firmadas em nome da governabilidade.
