Diante da ameaça da força, o que fazer?
Diante da ameaça da força, o que fazer? É a força da pirataria contemporânea, capitaneada por Trump, que parece querer prevalecer. A escalada de confrontos e ameaças recoloca em primeiro plano uma questão que não pode ser ignorada: o que acontece quando o direito internacional deixa de ser respeitado e a diplomacia perde espaço para a lógica da força?
Quando a soberania de um país é desconsiderada por uma potência militar, o princípio da igualdade entre as nações fica comprometido. O direito internacional e a diplomacia passam a encontrar limites diante da desigualdade de forças, prevalecendo, na prática, a lei do mais forte. A guerra tarifária não teria alcançado os objetivos pretendidos por Trump; agora, segundo essa leitura, a disputa parece descer mais um degrau, aproximando-se de uma lógica de confronto ainda mais perigosa.
O velho princípio romano si vis pacem, para bellum – “se queres a paz, prepara-te para a guerra” – volta a adquirir atualidade. Para os países que não aceitam submeter sua soberania a uma política imperialista, a questão passa a ser como construir capacidade de resistência e defesa. São países que, individualmente, possuem enorme inferioridade militar diante dos Estados Unidos, mas que podem encontrar na articulação regional, na cooperação e em estratégias adequadas às características de seus territórios instrumentos de dissuasão.
A história demonstra que a superioridade militar não é garantia automática de vitória. A Guerra do Vietnã permanece como exemplo de como uma potência pode subestimar a capacidade de resistência de um adversário e as condições específicas do território em que combate. Por isso, a América Latina precisa discutir sua própria soberania, sua capacidade de defesa e formas de cooperação entre os países da região, independentemente das diferenças políticas existentes entre seus governos.
Nesse cenário, o Brasil pode exercer papel relevante na construção de mecanismos de cooperação e defesa latino-americana. A soberania não pode depender apenas da boa vontade das grandes potências. Ela precisa estar respaldada pela capacidade de seus povos e Estados de defendê-la.
Se a força pretende substituir o direito, é preciso que os países soberanos estejam preparados para afirmar que seus portões não serão abertos sem resistência. É hora de uma injeção de patriotismo na veia – não de um nacionalismo contra outros povos, mas da consciência de que soberania, autodeterminação e independência não são concessões de nenhuma potência estrangeira.
A história do Brasil e da América Latina é também uma história de resistência. E o povo não deve fugir diante da ameaça: deve estar preparado para defender sua soberania.
