Eventual vitória de Flávio Bolsonaro pode abrir espaço para influência de milicianos no governo, aponta Estadão
Jornal afirma que histórico político do senador levanta questionamentos sobre relações com personagens associados a organizações criminosas do Rio
O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta quarta-feira (23) um editorial intitulado “Flávio e a sombra dos milicianos”, no qual questiona relações mantidas ao longo da trajetória política do senador Flávio Bolsonaro (PL) com pessoas associadas às milícias do Rio de Janeiro.
O texto cita, entre outros episódios, uma reportagem do próprio jornal segundo a qual, em 2023, uma assessora de Flávio teria negociado com Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, a destinação de aproximadamente R$ 200 mil em recursos de emenda parlamentar. Segundo o Estadão, a negociação teria envolvido a busca por vantagens indevidas.
Calixto Fonseca foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar organização criminosa armada. No mesmo processo, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão foram condenados por participação em organização criminosa e pelos homicídios da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorridos em 2018.
Segundo o editorial, Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda parlamentar foi destinada dentro da legislação vigente e que a responsabilidade pela prestação de contas seria do destinatário dos recursos. O jornal, entretanto, considera que a resposta não esclarece a relação entre integrantes do gabinete do senador e Calixto Fonseca.
O Estadão também recupera declarações feitas por Flávio durante sua atuação como deputado estadual no Rio de Janeiro. O editorial cita manifestações de 2007 nas quais o então parlamentar teria defendido as milícias como uma forma de policiamento e minimizado determinados crimes atribuídos a integrantes desses grupos.
Outro episódio lembrado pelo jornal envolve o antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e familiares de Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelas autoridades como integrante do chamado Escritório do Crime. Adriano morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.
Ao reunir esses episódios, o editorial sustenta que as relações mencionadas não seriam fatos isolados na trajetória política do senador. O jornal afirma que o histórico deve ser considerado no debate público sobre a candidatura de Flávio à Presidência da República.
O Estadão conclui que a decisão sobre o voto cabe aos eleitores, mas manifesta preocupação com a possibilidade de pessoas ligadas a grupos milicianos conquistarem influência no mais alto nível do poder federal caso Flávio Bolsonaro seja eleito.
As afirmações sobre os riscos políticos são a avaliação editorial do jornal, e não uma conclusão judicial de que Flávio Bolsonaro integre organizações criminosas ou que milicianos necessariamente ocupariam posições no governo em eventual gestão sua.
