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Ex-diretor da PRF é preso no Paraguai após romper tornozeleira e tentar fugir do país

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso na madrugada desta sexta-feira (26), no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar em um voo com destino a El Salvador. A prisão ocorreu após Vasques romper a tornozeleira eletrônica, descumprir medidas judiciais e deixar o Brasil clandestinamente.

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão por participação na trama golpista que buscava impedir a posse do presidente eleito em 2022, Vasques estava em prisão domiciliar quando rompeu o equipamento de monitoramento. A Polícia Federal identificou a interrupção do sinal ainda durante a madrugada e constatou sua ausência na residência, em Santa Catarina.

Após o rompimento da tornozeleira, as autoridades brasileiras acionaram países vizinhos. A detenção ocorreu quando Vasques tentou embarcar usando documento com dados incompatíveis com sua identificação, o que levantou suspeitas imediatas das autoridades paraguaias. A prisão contou com cooperação direta da Polícia Federal brasileira.

No vídeo abaixo, é possível ver Silvinei Vasques tentando fugir, evidenciando a violação deliberada das medidas impostas pela Justiça e o caráter concreto da evasão.

Da cúpula da PRF à fuga internacional

Figura central da segurança pública durante o governo Jair Bolsonaro, Silvinei Vasques assumiu a direção-geral da PRF em 2021 e passou a atuar de forma abertamente alinhada ao bolsonarismo. Sua gestão ficou marcada pela politização da corporação e pela instrumentalização da polícia em momentos decisivos do processo eleitoral.

De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, Vasques determinou a realização de blitzes em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva concentrava maior intenção de votos, com o objetivo de dificultar o acesso de eleitores às urnas no segundo turno das eleições de 2022. A prática foi considerada parte da engrenagem operacional da tentativa de golpe.

Preso preventivamente em agosto de 2023, Vasques permaneceu cerca de um ano detido até obter liberdade provisória, condicionada ao uso de tornozeleira eletrônica e à entrega do passaporte. A tentativa de fuga, agora confirmada, levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar a prisão preventiva, destacando que a violação das medidas cautelares demonstra risco concreto de evasão.

Prisão preventiva e retorno ao Brasil

Em decisão proferida nesta sexta-feira, o STF entendeu que a fuga configura descumprimento grave das determinações judiciais. Silvinei Vasques deve passar por audiência de custódia no Paraguai e, em seguida, ser entregue às autoridades brasileiras.

O caso recoloca no centro do debate público a responsabilização dos agentes que atuaram diretamente na tentativa de subversão do processo democrático, bem como os limites da concessão de medidas alternativas a réus condenados por crimes contra o Estado de Direito.

(Com informações do G1, SBT News, Agência Brasil e O Globo)

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