Flávio Bolsonaro e o mapa de relações que chega à Presidência

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Flávio Bolsonaro chega à disputa presidencial cercado por uma rede de rachadinhas, milícias, lavagem de dinheiro, contratos públicos, fraudes contra aposentados e, agora, as investigações do Banco Master e do filme Dark Horse.

Fabrício Queiroz, apontado pelo Ministério Público como operador das rachadinhas; Adriano da Nóbrega, apontado como liderança da milícia de Rio das Pedras e associado ao Escritório do Crime; Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, mãe e ex-mulher de Adriano, que trabalharam no gabinete de Flávio; Frederick Wassef, advogado do clã Bolsonaro em cuja propriedade Queiroz foi encontrado; Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master; Mário Frias e Karina Gama, ligados à produção de Dark Horse; Alexandre Caetano dos Reis, contador do escritório de Flávio preso na investigação das fraudes do INSS; Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”; além de empresas, entidades, emendas parlamentares e contratos públicos que aparecem nas investigações.

Nomes e estruturas que aparecem, em diferentes momentos e circunstâncias, no entorno político, profissional, financeiro ou pessoal do candidato à presidência da República. Alguns foram condenados; outros são investigados ou foram denunciados; e há casos em que as acusações foram posteriormente anuladas ou não resultaram em condenação.

Na Assembleia Legislativa do Rio, Flávio teve Queiroz como assessor e operador apontado no caso das rachadinhas. Adriano da Nóbrega recebeu homenagens de Flávio, enquanto familiares do miliciano trabalharam em seu gabinete. Levantamento citado pelo Brasil de Fato registra ainda 527 homenagens concedidas por Flávio a integrantes das forças de segurança, sendo que 23 dos homenageados posteriormente se tornaram réus ou condenados por crimes como homicídio, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitação.

Quando a investigação das rachadinhas avançou, Queiroz foi localizado na propriedade utilizada por Wassef. Seis anos depois, o advogado reapareceu publicamente no lançamento da candidatura presidencial de Flávio.

Flávio procurou Daniel Vorcaro para captar recursos para Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga operações envolvendo o Banco Master, remessas internacionais e suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A investigação alcançou também Mário Frias, Karina Gama, empresas, entidades, intermediários financeiros, emendas parlamentares e contratos públicos.

No caso das fraudes contra aposentados, surge outro elo: Alexandre Caetano dos Reis, contador do escritório de Flávio, foi preso na investigação. A empresa contábil ligada a ele também atendia companhias relacionadas ao “Careca do INSS”. Ao mesmo tempo, uma empresa da qual Flávio foi sócio, a Bravo Grafeno, compartilhava endereço em Brasília com empresas relacionadas ao investigado.

O ponto não é transformar relações em condenações. O ponto é justamente o contrário: olhar para o conjunto.

Queiroz. Adriano. Wassef. Vorcaro. Dark Horse. Banco Master. Emendas. Contratos públicos. Fraudes do INSS. Empresas e intermediários. Personagens que aparecem em diferentes investigações e que, em momentos distintos, cruzaram a trajetória política ou profissional de Flávio Bolsonaro.

E há a relação com os Estados Unidos de Donald Trump. A família Bolsonaro transformou Washington em parte importante de sua estratégia política. Eduardo Bolsonaro atua diretamente nos Estados Unidos e defende sanções contra autoridades brasileiras. Ao mesmo tempo, Flávio apresentou a aproximação com o governo americano como elemento de sua política externa. A continuidade do bolsonarismo no Brasil, e qual será o grau de autonomia do país diante de um governo estadunidense que já demonstrou disposição para utilizar tarifas, sanções, ditaduras e pressão diplomática como instrumentos de política externa.

A eleição de Flávio significaria, assim, a continuidade política do grupo que governou o país entre 2019 e 2022, mas sob novas circunstâncias: um candidato cuja trajetória está novamente no centro de investigações envolvendo dinheiro, relações com empresários investigados, estruturas financeiras internacionais e personagens associados a episódios de grande repercussão criminal.

Para o eleitor, é primordial conhecer essa trajetória antes de decidir. Não permitir que a disputa eleitoral apague os fatos, as relações e as investigações que cercam Flavio Rachadinha Corruptus.

Por Francisco Celso Calmon.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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