Lula diz não temer Trump e cobra soberania de presidentes latino-americanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (30) que não teme uma eventual tentativa de Donald Trump de interferir nas eleições brasileiras ou de não reconhecer o resultado do pleito. Em entrevista a veículos de comunicação alternativa, Lula disse que o Brasil está preparado para lidar com o cenário internacional e defendeu uma relação com os Estados Unidos baseada no respeito mútuo e nos interesses de cada país.
Ao comentar sua relação com Trump, Lula afirmou que mantém um contato respeitoso com o presidente norte-americano, apesar das diferenças políticas. Segundo o brasileiro, relações entre chefes de Estado devem ser tratadas de maneira institucional, independentemente das posições ideológicas de cada governo.
“Uma boa relação internacional é aquela em que as duas partes ganham alguma coisa”, afirmou.
Lula também relatou que já pediu diretamente a Trump que não interfira nas eleições brasileiras. Segundo o presidente, uma eventual interferência norte-americana poderia produzir consequências negativas para os próprios Estados Unidos.
“Eu disse para o Trump: não se meta nas eleições do Brasil”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de Trump não reconhecer um eventual resultado eleitoral no Brasil, Lula respondeu que não está preocupado com essa hipótese. O presidente afirmou que pretende manter uma relação institucional com os Estados Unidos, mas ressaltou que espera que Washington respeite a soberania brasileira e os interesses nacionais.
“Cabeça erguida”
Durante a entrevista, Lula afirmou que o Brasil vive, segundo sua avaliação, um momento de maior projeção internacional e defendeu uma postura de autonomia nas relações exteriores.
“Se você agir de cabeça erguida, você não vai ter problema. Eu aprendi a não baixar a cabeça”, afirmou.
O presidente também destacou que não considera necessário que outros chefes de Estado tenham afinidade pessoal ou ideológica com ele. Segundo Lula, o ponto central das relações diplomáticas deve ser o respeito entre os países.
“Eu não faço nenhuma questão de alguém gostar de mim pessoalmente. Faço questão é que me respeitem como presidente do Brasil e respeitem os interesses do Brasil”, declarou.
Crítica aos governos latino-americanos
Lula também criticou o que chamou de “complexo de vira-latas” de parte das lideranças latino-americanas. A expressão foi utilizada para questionar a postura de governos que, segundo ele, permanecem à espera de apoio dos países mais ricos em vez de fortalecer sua própria capacidade de desenvolvimento e negociação.
“O que é triste é o complexo de vira-latas dos presidentes da América Latina, que a vida inteira ficam esperando alguém rico para ajudar. Não vai aparecer”, afirmou.
A declaração ocorreu em meio às discussões sobre o aumento da influência norte-americana na América Latina e sobre iniciativas de cooperação regional lideradas pelos Estados Unidos. Lula defendeu que os países do continente mantenham relações comerciais e diplomáticas com Washington sem abrir mão de seus próprios interesses.
A discussão sobre soberania também ganhou espaço no cenário eleitoral brasileiro. Nos últimos meses, Lula e integrantes de seu governo têm criticado possíveis formas de interferência externa na política brasileira, enquanto Trump já manifestou posições sobre a disputa eleitoral do país. Em julho, Lula afirmou à Reuters que acreditava que os Estados Unidos tentariam influenciar a eleição brasileira em favor de Flávio Bolsonaro.
Na entrevista desta quarta-feira, porém, o presidente voltou a enfatizar que pretende manter uma relação institucional com Washington, sem abrir mão da autonomia brasileira.
“Não sou prepotente, sou respeitoso e quero que as pessoas me respeitem.”
