Lula encerra giro pelo Nordeste com defesa de políticas sociais, educação e desenvolvimento
Presidente participou de ato de campanha em Salvador e abordou inclusão social, liberdade religiosa, exploração de petróleo, industrialização e combate às apostas online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta terça-feira (29), de um ato de campanha em Salvador, encerrando sua passagem pelo Nordeste antes do primeiro turno das eleições de 2026. Durante o discurso, Lula destacou políticas sociais, educação, saúde, desenvolvimento econômico e soberania nacional.
A mobilização reuniu militantes, movimentos populares e lideranças políticas. Ao falar sobre sua relação com a Bahia e com o Nordeste, o presidente afirmou ter “gratidão com a Bahia” e ressaltou sua identificação com a população da região.
Na área da educação, Lula defendeu programas como ProUni, Fies, sistema de cotas, expansão dos institutos federais e Pé-de-Meia. Segundo ele, investimentos em educação podem contribuir para reduzir desigualdades e ampliar as oportunidades para estudantes de baixa renda.
O presidente também comparou os custos de investimentos educacionais aos gastos com o sistema prisional. “É muito mais barato a gente investir em escola do que investir em cadeia”, afirmou.
Saúde e repercussão sobre exames preventivos
Durante o evento, Lula voltou a explicar uma declaração feita no dia anterior, em Belém, durante uma fala sobre prevenção ao câncer de próstata. O presidente afirmou que sua declaração havia sido retirada de contexto e que se referia à resistência de parte dos homens em realizar exames preventivos.
O episódio havia provocado repercussão nas redes sociais e manifestações de políticos da oposição. A campanha de Lula também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação a publicações que, segundo a representação, teriam descontextualizado a fala.
A primeira-dama Janja da Silva também abordou o tema durante o ato e mencionou políticas de prevenção e diagnóstico do câncer voltadas à saúde da mulher.
Liberdade religiosa
Outro ponto do discurso foi a defesa da liberdade religiosa. Lula citou católicos, evangélicos, religiões de matriz africana e tradições indígenas ao defender o respeito entre diferentes crenças.
O tema entrou no debate eleitoral após a circulação de uma informação falsa relacionada à padroeira do Brasil e ao senador Flávio Bolsonaro. Lula afirmou que, independentemente da religião, os brasileiros devem respeitar as crenças uns dos outros.
Petróleo e industrialização
Na área econômica, Lula defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial e classificou os recursos naturais brasileiros como estratégicos para o desenvolvimento do país.
O presidente afirmou que receitas provenientes da exploração de petróleo podem contribuir para financiar investimentos em educação, ciência, tecnologia e saúde. Também defendeu investimentos em pesquisa e desenvolvimento para que o Brasil não se limite à exportação de matérias-primas.
Lula destacou ainda a importância dos chamados minerais críticos e das terras raras. Segundo ele, o país deve ampliar o processamento e a industrialização desses recursos dentro do território nacional, buscando maior participação em cadeias produtivas de maior valor agregado.
“A gente não quer ser vendedor de minério de ferro. A gente quer ser vendedor de inteligência e de conhecimento”, declarou.
O presidente relacionou essa estratégia à formação de trabalhadores para áreas como indústria digital, transição energética e novas tecnologias.
O ato em Salvador marcou a última etapa da passagem de Lula pelo Nordeste durante a reta final da campanha. Depois da Bahia, a agenda eleitoral prevê compromissos em cidades do Sudeste antes do encerramento da campanha para o primeiro turno.
