Lula questiona trajetória de Flávio e diz ter advertido Trump contra interferência nas eleições
Presidente também critica falta de propostas do candidato do PL e cita relações envolvendo a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (30), durante conversa com influenciadores no Palácio da Alvorada. A poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, Lula questionou a trajetória política do senador e afirmou que o adversário não apresenta um projeto consistente para o país.
Ao comentar a ascensão do bolsonarismo entre setores da juventude, Lula defendeu maior participação e formação política. Segundo o presidente, a insatisfação, quando não acompanhada de conhecimento e organização, pode abrir espaço para manipulação política.
Lula também questionou a experiência de Flávio Bolsonaro na vida pública e cobrou propostas concretas para áreas como emprego, educação, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades. O presidente ainda fez acusações sobre supostas relações do senador com milicianos no Rio de Janeiro. A campanha de Flávio não havia respondido às declarações até a publicação da reportagem original.
Flávio, Vorcaro e Eduardo Bolsonaro
Outro ponto abordado por Lula foi a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O presidente mencionou recursos solicitados por Flávio para a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga a movimentação desses recursos e sua gestão nos Estados Unidos. Lula afirmou que parte desse dinheiro teria servido para sustentar Eduardo Bolsonaro no país, mas essa afirmação específica não está estabelecida como fato pelas informações públicas disponíveis e deve ser tratada como uma acusação do presidente.
“Não se meta nas eleições do Brasil”
O presidente também revelou ter feito um alerta direto a Donald Trump sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
Segundo Lula, durante conversa com o presidente norte-americano, afirmou que qualquer tentativa de interferência poderia provocar uma reação brasileira.
“Eu disse para o Trump: não se meta nas eleições do Brasil”, relatou Lula.
A declaração retoma uma posição que o presidente já havia manifestado publicamente em setembro, quando afirmou que o Brasil não aceitaria ingerência externa nas eleições. Na ocasião, Lula relacionou a defesa da soberania à autonomia do eleitorado brasileiro e afirmou que “a democracia brasileira pertence aos brasileiros”.
Soberania como eixo da política externa
Na conversa desta quarta-feira, Lula também defendeu uma política externa baseada na autonomia brasileira e no diálogo com diferentes potências. O presidente citou as relações do Brasil com Estados Unidos, China, Rússia, Europa e países sul-americanos para argumentar que o país não precisa se submeter a alinhamentos automáticos.
A fala ocorre na reta final da campanha presidencial e recoloca no centro do debate a soberania nacional e a possibilidade de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
Ao mesmo tempo, Lula intensifica as críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro, questionando sua trajetória política, suas propostas e relações políticas e financeiras que vêm sendo alvo de controvérsia durante a campanha.
