O risco de uma autocracia e a volta do velho sistema
Os três Poderes da República são independentes e harmônicos entre si, segundo a Constituição. Ocorre que, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, com a maioria de áulicos no Congresso e, daqui a pouco tempo, também com a maioria no STF, haverá mudanças na Carta Magna e ele se tornará um autocrata.
O risco está na concentração de poder e na possibilidade de alterar as próprias regras que sustentam o equilíbrio entre as instituições. Com um Congresso majoritariamente alinhado e a perspectiva de uma maioria também no Supremo Tribunal Federal, os mecanismos constitucionais de controle poderão ser enfraquecidos, abrindo caminho para um governo autoritário.
O equilíbrio entre pesos e contrapesos desaparece.
Flávio representa a volta do velho sistema: o capitalismo de extrema orientação liberal, no qual a única perspectiva é a maximização do lucro e a pauperização do proletariado. Esse projeto também significa a alienação dos bens naturais do país, sua entrega às multinacionais, a subserviência absoluta aos EUA e um governo voltado para atender aos interesses do mercado.
As consequências desse modelo recairiam sobre a população trabalhadora, enquanto os interesses do capital seriam privilegiados. O desemprego e o mapa da fome estariam de volta, aprofundando a desigualdade social.
É isso o que querem aqueles que votam em Flávio ou estão equivocados quanto ao projeto que ele representa?
Juros, crescimento econômico e a disputa eleitoral
Se Galípolo tivesse baixado os juros, o Brasil teria crescido na faixa de 5%, e não teria para ninguém. A redução dos juros poderia favorecer a atividade econômica, estimular investimentos e ampliar as condições para a geração de mais empregos, em vez de manter a economia submetida à camisa de força do rentismo.
Mas Galípolo trabalha a favor do rentismo e da manutenção de um exército de reserva de mão de obra. Essa orientação parte da premissa de que o pleno emprego, acompanhado de salários dignos, gera inflação. Assim, a política monetária acaba subordinada à preocupação com os preços, enquanto o potencial de crescimento econômico e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores ficam em segundo plano. Falta dialética nessa equação.
É nesse contexto econômico e político que se coloca a disputa eleitoral.
Por que Lula ganha no segundo turno? Porque haverá debates, e Flávio é fraco: só sabe agredir e não tem projeto para apresentar. A comparação entre os candidatos permitirá confrontar suas propostas e expor as diferenças entre as concepções de país que representam.
Flávio não entende de economia nem de gestão, nunca administrou nada, e, segundo as acusações aqui apontadas, sabe lavar dinheiro sujo, apropriar-se do dinheiro de funcionários e ficar rico sem provar como ganhou. A fragilidade de sua experiência administrativa e os questionamentos sobre sua trajetória poderão pesar no confronto eleitoral, sobretudo quando tiver de apresentar propostas concretas para o país.
O dilema para o Brasil é: retrocesso à barbárie ou avanço civilizatório.
Francisco Celso Calmon.
