PF abre apuração sobre suspeita de interferência externa nas eleições brasileiras
A Polícia Federal abriu um procedimento preliminar para apurar uma possível interferência externa nas eleições brasileiras. A investigação foi solicitada pela Advocacia-Geral da União (AGU) na última quinta-feira (1º) e está sendo conduzida pela Diretoria de Inteligência da PF.
A informação foi confirmada neste domingo (4) pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo ele, trata-se inicialmente de uma apuração prévia, e ainda não foi publicada a portaria que formalizaria um inquérito policial.
O pedido da AGU teve como base uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, que apontou o suposto direcionamento de US$ 1 milhão de um fundo ligado a direitos humanos e democracia do governo dos Estados Unidos para um programa denominado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.
A suspeita investigada envolve a possibilidade de que recursos estrangeiros tenham sido utilizados para financiar uma agenda de extrema direita no país e interferir no processo eleitoral brasileiro. Até o momento, porém, a investigação ainda está em fase preliminar e não estabeleceu que tenha ocorrido interferência nas eleições.
PF também apura alerta sobre embaixadas
A declaração do diretor-geral da PF ocorreu no mesmo contexto de uma investigação sobre possíveis ameaças a representações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil.
Na sexta-feira (2), a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para verificar informações sobre um suposto planejamento de atos contra instalações diplomáticas norte-americanas.
Andrei Rodrigues afirmou, entretanto, que as diligências realizadas até agora não encontraram elementos concretos que indiquem risco efetivo à embaixada dos Estados Unidos ou a outras representações diplomáticas. O procedimento permanece sob sigilo.
O diretor-geral explicou que a PF recebeu uma comunicação da própria embaixada e, diante da informação, adotou as medidas necessárias para verificar sua veracidade.
TSE afirma não ter identificado interferência
No mesmo domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que não havia, até aquele momento, indicação concreta de interferência internacional nas eleições brasileiras.
Segundo o ministro, os órgãos responsáveis pelo acompanhamento de riscos do processo eleitoral não apresentaram informações que apontassem uma ameaça externa ao pleito.
O cenário coloca a apuração da Polícia Federal em uma posição ainda preliminar: existe uma investigação para verificar as suspeitas apresentadas à autoridade brasileira, mas não há confirmação oficial de que uma operação estrangeira tenha interferido nas eleições de 2026.
A PF deverá analisar os dados e documentos que deram origem à solicitação da AGU antes de decidir se haverá abertura formal de inquérito.
