Pressão sobre Venezuela expõe perspectiva latino-americana
(Fonte: O Globo. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo)
Se no início da pressão militar o argumento contra o regime de Nicolás Maduro era o do narcotráfico, usado também em ameaças nada veladas à Colômbia e ao México, o bloqueio naval imposto no último dia 16 explicitou o interesse-chave de Washington: o petróleo venezuelano, que corresponde a 17% das reservas mundiais, as maiores do mundo.
A China, que atualmente compra 80% do petróleo do país, atrai um total alinhamento geopolítico de Caracas e é credora de uma dívida de US$ 60 bilhões — o que, na prática, “hipoteca”os recursos energéticos venezuelanos para Pequim, como pontuou o diplomata venezuelano Alfre do ToroHardy ao colunista do GLOBO Marcelo Ninio.
Com esse pano de fundo, em que Pequim também disputa influência por ver a América Latina como parte do Sul Global, ninguém passará incólume. A Belicosidade americana sobre Maduro é apenas um movimento mais explícito em um jogo de tabuleiro maior,em que as eleições presidenciais de 2026 no Brasil, na Colômbia e no Peru também serão peças fundamentais.
