Trump apanha de surpresa governo Netanyahu e anuncia corte total da ajuda militar a Israel até dezembro
Em uma guinada geopolítica surpreendente e dramática após o acachapante revés sofrido nas eleições de meio de mandato (midterms), o presidente norte-americano Donald Trump anunciou publicamente que os Estados Unidos encerrarão todo o repasse de ajuda militar e financeira a Israel até o final de dezembro. A decisão unilateral pegou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de surpresa e provocou uma onda de choque diplomático na Casa Branca e em Tel Aviv.
Pressionado pela acentuada insatisfação popular com o custo de vida nos EUA e pelos desdobramentos inflacionários causados pelo conflito com o Irã, Trump passou a descarregar nos aliados externos a responsabilidade pelo desastre eleitoral republicano no Congresso. A declaração de corte dos recursos militares representa uma tentativa desesperada do presidente americano de estancar a rejeição interna, rifando acordos históricos em um momento em que os Democratas assumem as comissões de controle do Poder Legislativo em Washington.
O recuo repentino dos Estados Unidos deixa o governo de extrema-direita em Israel em situação de extrema vulnerabilidade e isolamento estratégico. Sem o aporte trilionário e o guarda-chuva militar de Washington, a aliança conservadora internacional que tentava redesenhar o mapa político global sofre mais um baque definitivo, evidenciando a fragilidade de arranjos que dependiam exclusivamente da retórica belicista de Trump.
O abandono repentino de Tel Aviv pela Casa Branca escancara a volatilidade das alianças autoritárias e prova que o extremismo não hesita em descartar seus próprios parceiros para tentar salvar a própria pele.
