Venezuela recebe 50 toneladas de insumos para tratamento de diálise; Brasil irá colaborar com mais 40 toneladas
(Fonte: Brasil de Fato. O Canal Pororoca reconhece a autoria integral do autor sobre o texto abaixo)
O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (8) o envio de 40 toneladas de insumos para pacientes com diálise na Venezuela. O gesto se deu em resposta aos ataques dos Estados Unidos contra o centro de distribuição de produtos hospitalares do estado de La Guaira. De acordo com o governo venezuelano, nos últimos dias já foram recebidas 50 toneladas de doações de insumos, mas não detalhou a origem do material.
Em uma carta enviada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, à ministra venezuelana Magaly Gutiérrez, o governo brasileiro afirma que não podia ficar de “braços cruzados” frente a um ataque bélico que prejudicou o atendimento de saúde de milhares de pessoas.
“Esta ajuda é do Ministério da Saúde, dos hospitais públicos e filantrópicos que atendem ao povo, sem reduzir o tratamento de diálise para os cerca de 170 mil brasileiros que realizam continuamente e de forma gratuita no SUS”, diz o texto.
Segundo a carta do governo brasileiro, mais de 16 mil pacientes venezuelanos estão sob “risco de vida” em função da destruição deste centro de distribuição. No texto, o ministro também destaca que comprará, junto com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) outros insumos que o Brasil não tem à disposição para enviar aos venezuelanos.
“Seguiremos em diálogo e cooperação para continuar nossa missão de paz, solidariedade e defesa da vida, prontos para outras ações conjuntas que fortaleçam a saúde do povo brasileiro, venezuelano e de toda a nossa América Latina”, concluiu.
O governo brasileiro reforçou que a ajuda à Venezuela não se dá só em solidariedade ao país vizinho, mas também em resposta a um gesto feito por Caracas durante o agravamento da pandemia de covid 19. Na ocasião, o governo de Nicolás Maduro enviou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos brasileiros que não tinham acesso a espaços de tratamento no norte do país.
O governo venezuelano não especificou de onde vieram as doações recebidas nesta semana, mas disse que todo o material será distribuído pelo Sistema Nacional de Saúde Pública, para prestar “assistência imediata”. Caracas garantiu a continuidade do tratamento para mais de 9 mil pacientes com doença renal em todo o país.
De acordo com a Sociedade Venezuelana de Nefrologia, em 2025, cerca de 5.300 venezuelanos dependem de diálise ou transplante para sobreviver, número que poderia crescer pela falta de equipamentos básicos de saúde. De acordo com especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, a escassez de produtos se dá especialmente pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra a economia venezuelana.
A Venezuela, assim como outros países do continente, não produz uma série de insumos e equipamentos médicos e depende da importação desses suprimentos. Sem poder vender petróleo, o governo perdeu a capacidade de atrair dólares para o país e, com isso, não consegue importar diferentes produtos industrializados.
Juan Carlos Valdez é advogado e especialista em política internacional e reforça que a principal debilidade dos sistema de saúde se dá pelas sanções impostas contra a economia venezuelana.
“Para nós, essa ajuda do Brasil é muito importante e mostra um caráter de irmandade de um país vizinho. É neste momento em que conhecemos os verdadeiros parceiros. Nós temos que importar quase todos os equipamentos de hemodiálise. A necessidade é ampla e o bloqueio prejudica tudo isso porque nós perdemos o acesso aos dólares para comprar esse tipo de equipamento”, disse o advogado.
Ainda assim, o governo tentou suprir essa demanda por atendimento médico. Em março de 2025, foi inaugurada uma unidade de diálise no Hospital Pérez Carreño, em Caracas, equipada com o que o ministério da Saúde disse ser “tecnologia de ponta” para atender mais de 400 mil pacientes. Também foram abertas unidades em Guarenas e na capital para manter o atendimento de quem precisa tratar a diálise.
Os ataques contra a estrutura de distribuição de medicamentos foi condenada pelo Instituto Venezuelano de Seguridade Social (IVSS). A organização afirmou que esse é um “ato criminoso” e uma “flagrante violação do direito à saúde” que tem como responsável o governo de Donald Trump.
“Atacar programas de saúde é um ato de terrorismo que busca punir os mais vulneráveis. Estão condenando milhares de pacientes que precisam do tratamento para sobreviver”, afirmou em nota.
O vice-ministro de Hospitais do Ministério da Saúde, Jesús Osteicochea, afirmou que as doações de equipamentos e medicamentos fazem parte do apoio entre as nações.
“Acionamos planos de contingência para garantir o tratamento oportuno dos pacientes. É importante destacar que, graças às políticas e aos canais estabelecidos pelo presidente Nicolás Maduro, estamos recebendo um carregamento de suprimentos que irá repor essa perda”, afirmou.
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Editado por: Luís Indriunas
