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12/2/2026 – 118 anos do nascimento de Olga Benário Prestes

Hoje, 12 de fevereiro de 2026, completam-se 118 anos do nascimento da judia Olga Benário Prestes (Olga Gutmann Benário Prestes), esposa do revolucionário Luís Carlos Prestes, assassinada há quase 84 anos pelo regime nazista. Ela nasceu em 12 de fevereiro de 1908 em Munique, na Alemanha.

Olga Benário era uma revolucionária: lutava para ver o fim das desigualdades e das injustiças sociais. Foi nesse período que ela conheceu o brasileiro Luís Carlos Prestes, que desde 1931 estava residindo na União Soviética. Em 1934, Prestes foi eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista e encarregado de voltar ao Brasil e liderar o levante que, tanto quanto se deduz, pretendia instalar uma ditadura socialista no país. Olga e Prestes, já enamorados, chegaram ao Brasil em 1935, mantendo-se na clandestinidade. Em novembro de 1936, houve uma revolta armada na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, a qual deveria ser estendida por todo o país, mas apenas as unidades do Recife e do Rio de Janeiro se levantaram contra o governo ditatorial de Getúlio Vargas, que estava preparado para esmagá-la. A intentona comunista fracassou e todos os organizadores, entre eles Olga Benário e Luís Carlos Prestes, foram presos.

Olga, sendo judia, saiu do Brasil grávida e, apesar dos protestos, não recebeu indulto individual (o instituto da graça) do presidente Vargas; foi torturada e deportada para morrer na Alemanha nazista, enviada para o campo de concentração de Bernburg, onde foi executada em uma câmara de gás em 23 de abril de 1942. A filha, Anita Leocádia Prestes, nasceu na prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, e, tendo sobrevivido, foi entregue pelos alemães, após várias e exaustivas campanhas, à avó brasileira (o pai estava preso, por ordem de Getúlio); atualmente com 89 anos, ela é historiadora e reside no Rio de Janeiro/RJ.

Para deportar a judia Olga Benário, ou seja, entregá-la à morte certa numa câmara de gás na Alemanha nazista, Getúlio Vargas contou com o voto da maioria dos ministros do STF da época, inclusive do amparense Laudo Ferreira de Camargo (fato que mancha sua rica e até então impecável biografia) – os outros ministros que votaram contra o indulto (e, portanto, pela extradição de Olga Benário) foram Edmundo Lins (então presidente da Corte), Hermenegildo de Barros (então vice-presidente do STF), Plínio Casado, Costa Manso, Octávio Kelly e Ataulfo de Paiva, além do já referido Laudo de Camargo. Uma vergonha histórica! Uma nódoa que mancha a história do próprio STF – Supremo Tribunal Federal e a História do Brasil!

Para quem não sabe, o Brasil da era Vargas cortejava, vergonhosamente, a Alemanha nazista.

Na verdade, o presidente Vargas permaneceu, o quanto pôde, em cima do muro, tentando agradar, ao mesmo tempo, os Estados Unidos e a Alemanha. O Governo de Vargas manteve, durante quase toda a década de 1930, relações de amizade e de cordialidade com o III Reich; inclusive, membros do governo brasileiro mantinham relações cordiais com o partido nazista no país.

Foi somente em agosto de 1942 que, pressionado pelos Estados Unidos, o Brasil declarou guerra contra a Alemanha nazista e a Itália fascista, mas por pouco o país não entrou na Segunda Guerra Mundial ao lado dos alemães, ou seja, somente após a proposta feita pelos Estados Unidos de financiar a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), entre outras propostas de auxílio à economia brasileira, o país declarou guerra aos nazistas. Ademais, Getúlio sabia que os EUA não hesitariam em invadir o litoral do nordeste brasileiro para ocupar portos e bases, caso não se concretizasse o alinhamento do Brasil com os Países Aliados, que se traduziu no envio dos valorosos combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) à Itália para combater as forças nazifascistas.

A grande lição que emerge do passado é que precisamos repudiar e combater, sempre e incessantemente, regimes totalitários como o nazismo, responsável pelo assassinato de milhões de judeus, negros, ciganos, gays, comunistas e tantos outros segmentos minoritários, bem como denunciar, onde quer que existam, ativistas que se alinhem a essas vertentes proscritas pelos regimes democráticos e repelidas à exaustão pelos homens de bom coração.

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