Direitos Humanos

72 anos da morte de Getulio Vargas dia 24/08/2026

Vargas esteve no centro da criação de uma nova estrutura de Estado, da industrialização brasileira e da ampliação dos direitos trabalhistas. A Consolidação das Leis do Trabalho, a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e, em seu segundo governo, a criação da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – atual BNDES – são parte de um projeto que colocava o Estado como indutor do desenvolvimento e defendia maior autonomia econômica para o país.

No segundo governo, a política desenvolvimentista articulava empresa pública, iniciativa privada nacional e capital estrangeiro, enquanto o governo ampliava investimentos em infraestrutura, energia, transportes, ciência e tecnologia. Também foram criados o CNPq e a Capes, instituições que permanecem fundamentais para a ciência e a educação brasileiras.

Ontem, há 72 anos, em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas deixava a vida para entrar definitivamente na história do Brasil.

“À sanha dos meus inimigos, o legado da minha morte.

Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954.

Mais uma vez, as forças que os interesses contra o povo coordenaram novamente se desencadeiam sobre mim.

Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam. E não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.

A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho.

A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma.

A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano.

Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado.

Nada mais vos posso dar, a não ser o meu sangue.

Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o sangue do povo brasileiro, ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco quando a situação for de tal modo que não possa mais continuar a lutar.

Quando o poder político e econômico se volta contra o povo, é preciso que alguém tenha a coragem de enfrentar o sacrifício.

E eu vos digo: este sacrifício ficará para sempre na história do Brasil.

Saio da vida para entrar na História.

Getúlio Vargas

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Leticia Vieira de Mendonça

Letícia Mendonça é cientista social formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisadora, professora, social mídia e colunista do Canal Pororoca. Se debruça no estudos sobre violência urbana, segurança pública, desigualdades sociais e dinâmicas territoriais.

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