Escritório de Flávio Bolsonaro é ligado a empresa conectada ao Banco Master em nova revelação
Uma nova reportagem publicada por O Globo, com base em documentos obtidos inicialmente pelo Metrópoles, amplia os questionamentos sobre as relações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com empresas ligadas ao escândalo do Banco Master.
Os documentos mostram que o escritório de advocacia de Flávio Corruptus emitiu três notas fiscais que somam R$ 1,5 milhão por serviços de assessoria jurídica. Duas delas, no valor de R$ 500 mil cada, foram emitidas para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., mas acabaram canceladas. A terceira, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa e não foi cancelada.
O ponto que chamou a atenção é a ligação entre as empresas. A Contábil Correa pertence ao mesmo empresário que dirige a Copenhagen Consultoria, companhia que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, segundo a apuração jornalística. Essa conexão reforça o escrutínio sobre a rede de relações empresariais que gravita em torno do banco investigado.
Após a divulgação da reportagem, Flávio Corruptus confirmou que seu escritório prestou serviços advocatícios à Contábil Correa, mas negou qualquer vínculo financeiro com a Copenhagen ou com recursos provenientes do Banco Master. Segundo o senador, as duas notas emitidas para a Copenhagen foram canceladas antes da formalização de qualquer contrato, enquanto o serviço prestado à Contábil Correa teria sido uma atividade jurídica regular e privada.
As revelações surgem em um momento de crescente pressão sobre figuras políticas relacionadas ao caso Banco Master, investigação que vem expondo uma ampla rede de conexões entre agentes públicos, empresários e empresas que mantiveram relações comerciais com o grupo financeiro.
Flávio Corruptus sabe que a possibilidade de derrota é real e, por isso, busca construir uma narrativa que lhe permita se apresentar como vítima. Ao retomar questionamentos sobre o sistema eletrônico de votação, um tema que já foi amplamente analisado, auditado e reiteradamente validado pelas instituições responsáveis, resgata um discurso que havia sido deixado em segundo plano. A estratégia parece menos voltada a discutir o processo eleitoral e mais a lançar dúvidas sobre o resultado antes mesmo da votação, criando as condições para contestá-lo caso lhe seja desfavorável.
