Crise sobre caso Master amplia tensão entre PF, AGU e STF
Disputa sobre condução das investigações envolve afastamento do diretor-geral da PF, decisões conflitantes e sessão extraordinária do Supremo
Integrantes da PF acusam a AGU de omissão diante de decisões do ministro André Mendonça sobre a condução dos inquéritos. A AGU, por sua vez, afirma que uma contestação judicial poderia comprometer a validade das investigações e das provas produzidas.
O conflito se intensificou após Mendonça determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, no contexto de uma investigação sobre um relatório de inteligência que mencionava o próprio ministro.
Rodrigues afirmou que o documento foi encaminhado ao STF por determinação de Alexandre de Moraes e negou que a PF tenha realizado monitoramento ilícito de autoridades. A declaração aprofundou a disputa sobre a origem do relatório e os limites da atuação da corporação.
Diante do impasse, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões conflitantes sobre o afastamento e a reintegração de Rodrigues e determinou que ministros, a Procuradoria-Geral da República e a PF prestassem esclarecimentos sobre possíveis irregularidades. Fachin também convocou uma sessão extraordinária do Plenário para 15 de setembro, quando deverá ser analisada a Petição 16.662, relacionada ao caso.
Outro desdobramento foi a retirada do sigilo de 15 procedimentos ligados ao Banco Master por decisão de Mendonça. O ministro, contudo, manteve sob sigilo o inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, que envolve o senador Flávio Bolsonaro e outros políticos. A divulgação seletiva dos documentos provocou questionamentos sobre transparência e sobre os critérios adotados para preservar parte das informações.
O episódio expõe uma disputa sobre a autonomia da Polícia Federal, os limites do controle judicial sobre investigações e a atuação dos órgãos de Estado diante de decisões do Supremo.
A sessão marcada para setembro poderá definir os próximos passos do conflito e estabelecer parâmetros para a condução de investigações que envolvam autoridades com foro privilegiado.
