Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, declara que ”está tudo uma bagunça no STF
Em entrevista ao jornalista Tales Faria, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão criticou tanto a iniciativa do Partido Novo quanto a decisão do ministro André Mendonça de acolher o pedido que resultou no afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Para Aragão, o Novo não teria legitimidade para intervir no processo por não ser parte diretamente envolvida. Na mesma linha, afirma que Mendonça não deveria ter aceitado a petição. “Nem o Novo podia requerer, nem Mendonça podia aceitar”, resumiu o ex-ministro.
Aragão faz uma ressalva importante: não se trata de tomar partido entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. O problema, segundo ele, é maior. A multiplicação de petições e intervenções políticas em processos que deveriam obedecer a critérios estritamente jurídicos estaria transformando o ambiente institucional numa “bagunça”.
Partidos políticos passam a utilizar processos judiciais como instrumentos de disputa política, e ministros respondem a esse ambiente tomando decisões que aprofundam a crise, o STF passa a alimentar uma escalada com consequências para todo o sistema republicano.
A crise exige serenidade, legalidade e responsabilidade. O Brasil não pode assistir passivamente à transformação do Supremo em mais uma arena da guerra política.
