Mendonça está sob paranoia persecutória e obcecado em conseguir que seu candidato Flávio Rachadinha Corruptos vença

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Criar as condições para que seu campo vença e para que o bolsonarismo volte a ocupar o centro do poder. Nessa cruzada, tem se comportado como um verdadeiro anarcosubversivo do Estado de Direito. Em vez de contribuir para a estabilidade institucional que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal, alimenta conflitos, tensiona os demais Poderes e parece disposto a levar o sistema às últimas consequências.

Mendonça age como se estivesse acima dos limites impostos pelo próprio cargo. Peita colegas, confronta instituições e avança sobre searas que não lhe pertencem. Ao invadir o espaço do Executivo e transformar divergências institucionais em confrontos permanentes, ajuda a produzir desordem, instabilidade e desarmonia entre os Poderes.

Mendonça se apresenta como defensor de uma causa superior, como se tivesse recebido a incumbência de conduzir o país por determinado caminho político e moral. Essa postura messiânica serve de alcoviteiro e protetor, enquanto demonstra uma postura de superioridade diante daqueles que não compartilham de suas posições.

Quem o enfrenta passa a ser tratado como inimigo. Quem diverge se torna obstáculo. Um ministro do Supremo não pode confundir discordância com perseguição, nem usar o peso do cargo para transformar disputas políticas em guerras pessoais.

O resultado dessa escalada pode ser o caos institucional. E o caos não surge no vazio. Em um momento em que Donald Trump e a extrema direita internacional demonstram interesse em explorar crises políticas para ampliar sua influência e abrir espaço para ingerências, qualquer processo de implosão das instituições brasileiras precisa ser levado a sério.

A democracia brasileira foi conquistada a duras penas e mantida por meio de muita luta. Não pode ser colocada em risco pela ambição política, pelo personalismo ou pela convicção de que alguém, investido temporariamente de um cargo, esteja acima dos limites constitucionais.

Mendonça precisa entender – ou ser levado a entender – que ministro do Supremo não é chefe de Poder, não é messias e não está acima da República. Se continuar agindo como se pudesse confrontar todos, ultrapassar os limites de sua função e submeter as instituições à sua própria vontade, estará contribuindo não para a defesa da democracia, mas para sua corrosão.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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