PEGA NA MENTIRA! Investigação da PF contradiz versão de Flávio Bolsonaro sobre financiamento de Dark Horse

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Operação apura suspeita de desvio de emendas parlamentares para produção sobre Jair Bolsonaro; origem de recursos ainda é investigada

A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que o filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, não recebeu dinheiro público é confrontada pelas investigações da Polícia Federal. A corporação apura se recursos de emendas parlamentares destinados a projetos sociais foram desviados para financiar a produção.

A apuração ganhou força com a Operação Make Up, deflagrada em 10 de setembro, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão e teve entre os alvos o deputado federal licenciado Mario Frias (PL-SP), ligado ao projeto, e a empresária Karina Gama.

Segundo as informações divulgadas pelo PT, a PF investiga se R$ 750 mil recebidos pela produtora Go Up tiveram origem em emendas destinadas por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. Os investigadores analisam repasses por empresas intermediárias e coincidências entre transferências financeiras e pagamentos realizados durante as filmagens.

A corporação também identificou indícios de irregularidades na execução de projetos que receberam cerca de R$ 2 milhões em emendas, incluindo documentação inconsistente e ausência de comprovação de serviços. Ainda não há, contudo, conclusão definitiva sobre o percurso integral dos recursos nem sobre a destinação final de todos os valores.

Recursos privados também entram no radar

Além da suspeita envolvendo emendas, a investigação examina o financiamento privado atribuído a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio Bolsonaro aparece como interlocutor nas tratativas para viabilizar o filme, conforme a cronologia de contatos reunida pela PF.

A origem dos recursos também desperta questionamentos porque o Banco Master captava investimentos de regimes públicos de previdência. Dados citados na reportagem do PT apontam que o Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras da instituição. A existência de recursos de origem pública no banco, entretanto, não significa, por si só, que tenham sido utilizados no financiamento do filme. Essa eventual conexão ainda precisa ser comprovada pela investigação.

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Leticia Vieira de Mendonça

Letícia Mendonça é cientista social formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisadora, professora, social mídia e colunista do Canal Pororoca. Se debruça no estudos sobre violência urbana, segurança pública, desigualdades sociais e dinâmicas territoriais.

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