Dino aponta que voto de Mendonça no STF beneficiou Banco Master e irmão do ministro

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou novas providências para investigar possíveis irregularidades nas concessões de serviços funerários, cemiteriais e de cremação em São Paulo e eventuais conexões com o Banco Master.

Na decisão, Dino apontou coincidências entre a atuação do ministro André Mendonça no processo e interesses de fundos ligados ao banco, além da ascensão profissional do irmão de Mendonça na agência que fiscaliza o setor.

Dino cobra explicações sobre a Cortel

Dino deu prazo de 10 dias para a Prefeitura de São Paulo e a SP Regula apresentarem documentos sobre a concessão dos cemitérios à Cortel SP.

Entre os dados solicitados estão:

  • composição societária da concessionária;
  • documentos da concessão;
  • relatórios de fiscalização;
  • alterações contratuais;
  • eventuais vínculos com o Banco Master.

O ministro também determinou que a CVM e o Ministério Público de São Paulo enviem informações sobre as apurações envolvendo o setor.

Mendonça recebeu Vorcaro antes de pedir vista

Segundo a decisão, André Mendonça recebeu o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, em 14 de março de 2025, um dia antes de pedir vista no processo que discutia as tarifas dos cemitérios.

Mendonça confirmou o encontro em entrevista publicada em 2 de setembro de 2026 e afirmou que a reunião ocorreu após pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha, intermediado pelo deputado Cezinha Madureira.

No julgamento, Mendonça votou contra a decisão de Dino que estabelecia teto para as tarifas e adotou posição favorável às concessionárias.

Irmão de Mendonça teve ascensão na SP Regula

Dino também destacou a atuação de Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro, na SP Regula.

Alexandre foi nomeado superintendente da agência em julho de 2024 e promovido a secretário-executivo em maio de 2026. Ele atua na área responsável pela fiscalização dos serviços funerários e cemiteriais.

Instituto ligado a Mendonça recebeu contratos

A decisão também cita contratos firmados pelo Instituto Iter, fundado por André Mendonça, com órgãos públicos de São Paulo.

Em setembro de 2025, a entidade assinou contrato de R$ 380 mil com a Prefeitura de São Paulo para treinamento de servidores. Também firmou contrato de cerca de R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

PF e CVM investigam fundos ligados ao setor

Relatórios da Polícia Federal e da CVM apontam suspeitas de irregularidades envolvendo o fundo Brazilian Graveyard and Death Care Services (Care11), que tem participação na Cortel.

Segundo as investigações, houve suspeita de manipulação do valor das cotas do fundo e operações envolvendo empresas ligadas à família Vorcaro.

A CVM condenou os executivos Roberto Schumann e Márcio Schumann a multas de R$ 2,2 milhões por uso de informação privilegiada e manipulação de mercado.

Dino envia caso para Fachin

Dino determinou ainda o envio da íntegra da decisão ao presidente do STF, Edson Fachin, para integrar as apurações sobre a conduta de André Mendonça.

O ministro ressaltou que os fatos não permitem, neste momento, antecipar responsabilidade penal ou por improbidade, mas considerou que o conjunto de informações exige esclarecimentos pelas autoridades competentes.

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Gabriel Ribeiro Moreira

Sou estudante de Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e faço parte da equipe do Canal Pororoca como social media.

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