Caso Master: entenda a crise que provocou confronto no STF
A crise do Banco Master chega nesta terça-feira (15) ao plenário do STF após uma sequência de revelações envolvendo mensagens de Daniel Vorcaro, um contrato de R$ 130 milhões e uma disputa entre ministros pelo acesso às provas.
O caso começou com as investigações sobre o banco e ganhou novos contornos após a divulgação de relatórios da Polícia Federal que citam encontros entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Investigações atingem o Banco Master
A Polícia Federal passou a investigar supostas fraudes envolvendo o Banco Master, então comandado por Daniel Vorcaro, além de possíveis relações com agentes públicos, empresários e entidades.
As apurações também mencionaram repasses de R$ 62,8 milhões que, segundo a PF, teriam sido cobrados de Vorcaro com intermediação do senador Flávio Bolsonaro.
Em outro desdobramento, André Mendonça autorizou o bloqueio de R$ 1,7 bilhão em bens e ativos ligados a Vorcaro.
Toffoli deixa a relatoria
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso no início de 2026 e declarou-se suspeito em procedimentos relacionados ao Banco Master.
A condução dos processos passou para André Mendonça.
Relatório cita encontros com Moraes
Em setembro de 2026, relatórios da PF tiveram o sigilo levantado.
Segundo o documento, Moraes e Vorcaro se encontraram oito vezes. O banqueiro teria pedido ajuda ao ministro para conter investigações contra o Banco Master.
O relatório também afirma que, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil.
Outro ponto envolve um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Moraes reage
Após a divulgação dos documentos, Moraes acusou Mendonça de promover um “levantamento seletivo” das provas.
Segundo ele, 15 procedimentos foram disponibilizados, enquanto outras 180 peças e arquivos digitais permaneceram fora da divulgação.
Moraes pediu o levantamento integral do sigilo e que suas acusações contra Mendonça fossem analisadas junto com o caso envolvendo suas mensagens com Vorcaro.
Mendonça rebate
Mendonça negou ter selecionado informações e afirmou que os documentos mantidos em sigilo protegiam investigações em andamento e dados pessoais, fiscais e bancários de terceiros.
O ministro também disse manter em seu gabinete uma cópia criptografada dos dados do celular de Vorcaro para preservar a cadeia de custódia.
Ministros pedem acesso aos dados
Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro.
Zanin determinou que a PF entregasse cópias completas do acervo aos gabinetes interessados.
A PF confirmou a entrega na segunda-feira (14), encerrando a disputa sobre o acesso direto aos dados.
PGR pede anulação do relatório
A Procuradoria-Geral da República defendeu a anulação e o arquivamento do relatório da PF.
Segundo a PGR, o documento teria sido produzido a pedido de Mendonça sem provocação do Ministério Público ou da própria PF e sem comunicação à Presidência do STF.
A Procuradoria também apoiou o acesso integral dos ministros às mídias apreendidas.
Fachin separa acusações contra Mendonça
Edson Fachin rejeitou o pedido para que as acusações contra Mendonça fossem julgadas junto com o caso de Moraes.
O presidente do STF marcou a análise das acusações contra Mendonça para 23 de setembro.
Com isso, o julgamento desta terça-feira fica concentrado na validade do relatório da PF e nas mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro.
O que está em jogo
O STF deverá avaliar se o relatório apresenta falhas que comprometem sua validade e se as mensagens reunidas pela PF justificam uma investigação contra Moraes.
A Corte também poderá determinar uma nova análise do material por outro integrante do Ministério Público.
Moraes e Mendonça estão diretamente envolvidos na controvérsia e podem não participar da votação. Toffoli, que já se declarou suspeito em desdobramentos do caso Master, também não deve votar.
O julgamento leva ao plenário uma crise que começou nas investigações contra o Banco Master e evoluiu para um confronto institucional dentro do próprio Supremo.
