Milton Leite se entrega à polícia após operação que investiga suposta infiltração do PCC no transporte público de SP
Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, apresentou-se à polícia nesta sexta-feira (18), um dia após ser alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta. A investigação apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público paulista e possíveis relações entre empresas do setor e integrantes ou colaboradores da organização criminosa.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, Leite compareceu a uma delegacia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, acompanhado de um delegado. Ele não havia sido localizado durante o cumprimento dos mandados na quinta-feira (17) e chegou a ser considerado foragido. Nesta sexta, informou às autoridades que estava viajando e que retornaria para se apresentar.
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que autorizou a operação incluiu Milton Leite entre os 13 investigados que tiveram prisão temporária decretada. O documento cita o ex-vereador diversas vezes e registra suspeitas dos investigadores sobre sua atuação em empresas de ônibus.
Entre os pontos mencionados na decisão estão declarações de policiais militares prestadas em procedimento da Justiça Militar segundo as quais Leite seria o proprietário de fato da Transwolff, uma das empresas investigadas. O despacho, entretanto, não apresenta todos os elementos que comprovariam eventual participação formal do ex-parlamentar na sociedade.
Investigação envolve contratos e licitações
A Operação Vectura Corrupta investiga possíveis irregularidades em processos licitatórios, contratos públicos e negociações empresariais envolvendo o transporte coletivo em São Paulo e em outros municípios.
Além da Transwolff, estão entre as empresas citadas na apuração a A2 Transportes, Translider, Transbellaflor e Alfa Rodobus.
A investigação também analisa mensagens extraídas de celulares, documentos e movimentações financeiras que, segundo a decisão judicial, indicariam possíveis relações entre investigados e pessoas ligadas ao PCC.
Dinheiro é apreendido durante buscas
Durante as diligências relacionadas a Milton Leite, policiais estiveram em um imóvel em Sorocaba pertencente a um assessor do ex-vereador. No local, encontraram um acesso camuflado que levava a uma residência vizinha atribuída a Leite.
Os agentes apreenderam malas com R$ 280 mil e US$ 89 mil. A origem dos valores ainda é investigada, e não há, até o momento, conclusão de que o dinheiro pertença ao ex-parlamentar ou de que tenha origem ilícita.
Polícia investiga possível vazamento
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo também apuram a possibilidade de que alguns alvos tenham recebido informações antecipadas sobre a operação.
Milton Leite e Paulo Sirqueira Korek Farias, proprietário da A2 Transportes, não foram encontrados inicialmente nos endereços visitados pelos agentes. O delegado responsável afirmou, porém, que ainda não existem elementos suficientes para confirmar que houve vazamento.
A investigação segue em andamento, e as suspeitas apresentadas pelas autoridades ainda deverão ser submetidas à apuração e às decisões judiciais correspondentes.
