Milton Leite é preso em operação que investiga infiltração do PCC no transporte público de São Paulo
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite foi preso nesta sexta-feira (18), após se apresentar à polícia. Ele era alvo de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo.
A operação investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo da capital paulista, além de possíveis relações da organização criminosa com agentes públicos e políticos.
Segundo a investigação, Milton Leite é apontado como suposto “dono de fato” da Transwolff, empresa que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha, em 2024, por suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A atual apuração analisa mensagens, áudios, documentos e depoimentos que, de acordo com os investigadores, mencionariam a atuação de Leite no setor de transportes.
O Ministério Público investiga a possível presença de representantes ou “laranjas” ligados à facção em 12 das 22 empresas de transporte coletivo de São Paulo. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentação de recursos ilícitos, negociação de veículos e financiamento de campanhas eleitorais.
Além de Leite, a operação resultou na prisão de Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL, e de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, Morgado é suspeito de ter recebido recursos ilícitos para financiar sua campanha, enquanto Levi é investigado por supostos contatos com intermediários ligados aos interesses do PCC no setor de transportes.
Milton Leite teve uma longa trajetória na política paulistana. Ele chegou à Câmara Municipal em 1997, foi reeleito seis vezes e ocupou a presidência da Casa em seis ocasiões. Ao longo dos anos, tornou-se uma das principais lideranças políticas da zona sul da capital e manteve influência sobre a articulação da base do prefeito Ricardo Nunes.
A relação política com Nunes também foi marcada pela atuação de Leite nas articulações do União Brasil. Em 2024, o partido participou da composição que apoiou a reeleição do prefeito. Leite também manteve proximidade política com o governador Tarcísio de Freitas.
Durante as diligências da operação, a Polícia Civil apreendeu cerca de R$ 738 mil em dinheiro, entre reais e dólares, em um imóvel ligado a um ex-assessor de Milton Leite, em Sorocaba. A origem dos valores ainda é objeto de investigação.
A Prefeitura de São Paulo informou que acompanha o caso e determinou a análise de contratos e vínculos da A2 Transportes, outra empresa citada na investigação. O município afirmou que pretende colaborar com as autoridades e adotar medidas caso sejam identificadas irregularidades.
Milton Leite nega as acusações, afirma que nunca teve participação na Transwolff e rejeita qualquer relação com o PCC. A empresa também nega que o ex-vereador tenha integrado seu quadro societário ou participado de sua gestão. A investigação permanece em andamento, e as suspeitas ainda serão analisadas pelas autoridades e pela Justiça.
